AntiMagic Academy: Capítulo 02

Capítulo 2: Saída, Pelotão de Peixes Pequenos
Parte 1
Fora das instalações escolares, em um beco no centro da cidade, atrás dos prédios das empresas de contratações, as quais tinham pôsteres de contratação sobre se mesmos, na esquina da rua havia  uma construção aparentemente deserta.
Os membros do 35° Pelotão já se encontravam em suas posições.
Era um edifício não terminado, construído há dez anos sem nenhuma característica especial. Iria ser utilizado por empresas comerciais, mas atualmente ninguém o usava. As salas em todos os andares estavam disponíveis.
O objetivo era a apreensão de uma Herança Mágica de Rank-D [Trakless Psalms].
No fim, Ouka havia se juntado a eles e os quatro estavam prestes a iniciar a operação.
"Por enquanto, não seria melhor esperar junto a mim em seu primeiro dia?"
Ikaruga perguntou durante a introdução, Ouka confirmou sua escolha enquanto desmontava sua arma para manutenção.
"Não tem problema, eu vou participar."
"Então é assim? Por mim tudo bem. Você não está muito motivada aqui?”
"Não importa que tipo de missão seja, usar força total é meu princípio. Não se preocupe, não vou te passar a perna. Devemos nos mover de acordo com as ordens do Capitão."
Enquanto remontava a sua arma, dirigiu seu olhar para Takeru.
Vendo Takeru praticar movimentos com um bastão especializado, ela começou a piscar de surpresa.
"Me mostre suas habilidades... Kusanagi Takeru."
As palavras que Ouka disse foram suficientes para pressionar Takeru.
“... Haa.”
Incapaz de se livrar completamente da ansiedade, ele suspirou.
Ikaruga permaneceu na sala do Pelotão e, através do wireless, ela era a responsável pela comunicação. Na posição de sniper, Usagi estava esperando no telhado do edifício em frente. Ouka passou pela porta da frente, esgueirando-se.
Takeru estava indo cuidar da porta traseira.
"... Parece que não tem ninguém guardando a porta traseira... como está o seu lado, Ootori?"
<"....... Também não há sinais de inimigos aqui.">
"Bo-Bom, então vamos."
A comunicação foi transferida para Ikaruga, a operadora.
A empresa comercial não deve ser tão grande, ao menos deve ser apenas um grupo pequeno.
"Como você sabe disso?"
"Pense como o bandido que roubou a [Trakless Psalms]. Ele sabe como funcionam as conexões entre as organizações, então uma grande organização aumentaria os riscos."
As palavras de Ikaruga pareciam ser bastante convincentes.
O fato do outro grupo ser pequeno era bom para eles.
E o nível da Herança Mágica também era alto, se o grupo do inimigo fosse muito forte, sua autorização para a apreensão seria revogada. Uma vez que eles haviam aceitado sua requisição, isso significava que a apreensão havia sido considerada de um nível que estudantes pudessem lidar.
Mas continuava sendo perigoso. A quantidade de estudantes da Antimagic Academy falecidos a cada ano era enorme. Embora o risco houvesse sido classificado como baixo, às vezes ocorriam fatalidades. Cuidando da porta traseira, ele entrou no edifício e se juntou a Ouka.
"É um grupo realmente irresponsável. O acordo realmente ocorrerá aqui? "
"Irei proceder, cuide das minhas costas Capitão. Solicitando autorização."
"Si-Sim, prossiga."
Cobrindo um ao outro, eles continuaram gradualmente em frente.
Dito isso, Takeru não tinha outras armas além do bastão e da espada pendurada em sua cintura, portanto ele se sentia antiquado. Embora o bastão fosse mais efetivo para lutar em um lugar com pouco espaço, na maioria das situações uma arma de fogo teria a vantagem.
Ouka, por outro lado, tinha uma pistola e um bastão. A pistola era automática e, inclusive, do mesmo modelo usado pela polícia. Foi produzida pela Corporação Alquimista da Inquisição, portanto foi modificada com uma arma anti-magia. Ela se orgulhava de seu tamanho compacto e de sua taxa de acerto estável. Ela havia sido feita de forma com que coubesse nas mãos de mulheres e crianças. Contudo, em contraste a isso, seu poder de fogo era um problema.
No momento, a arma estava carregada com balas de anestesia. Normalmente, as equipes só tinham permissão de carregar balas anestésicas e de mithril com elas. O uso das balas de mithril era  restrito a lutas contra bruxas ou pessoas usando Heranças Mágicas. Fora isso, não tinham permissão para usar balas letais.
Embora fosse uma boa sub-arma, falando com franqueza, sua debilidade em poder de fogo não podia ser negada. Uma vez que não era possível determinar qual era a organização que iria comprar a Herança Mágica, seria melhor estar bem preparado, mas...
... Ouka escolheu especificamente uma arma com a qual estava familiarizada.
“........”
Ouka personificava a tranquilidade e não fazia nenhum movimento desnecessário. Caminhou enquanto eliminava todo o barulho e cobriu o ponto de cobertura sem problemas. Como era de se esperar de uma ex-Inquisidora, ela passava a impressão de ser bem treinada.
Ela usou gestos para transmitir a mensagem de forma correta.
Takeru sinalizou que ela esperasse e falou pelo fone de ouvido.
“Usagi, como está o lugar?”
Se-Se-Sétimo andar, escritório. A-A luz está acesa, há dois deles.
Usagi parecia nervosa como de costume.
“Bem, sétimo andar então.”
“——Na-Não estou realmente ansiosa, mu-muito menos nervosa, estão olhando para fo-fora,são muito cuidadosos, sim cu-cu-cu-cuidadosos.”
“Do que está falando, só perguntei pela situação no interior.”
Enquanto dizia isso, ele percebeu algo estranho.
“Duas, pessoas? O cliente está sozinho?”
”É o que parece, só posso ver através da janela, então alguém pode estar se escondendo. E-Eu perdi alguma coisa?”
O comerciante estava sozinho. Isso era impossível. Talvez fosse uma organização que fornece o objeto através de um único coletor? Assim faria sentido que só duas pessoas estivessem aqui... mas, isso era mesmo possível?
O qu-que vamos fazer? De-Deveria derrubá-lo agora? E-Eu o farei, é mo-moleza.
Não era convincente quando alguém dizia isso enquanto mordia a língua.
“Espera, espera, devemos chegar ao escritório primeiro.”
A taxa de êxito de disparo da Usagi podia ser confiável, mas eles não sabiam se dentro havia mais inimigos.
“Ootori, vá ao redor do outro lado do corredor, entraremos depois do sinal.”
........
“Hei, Ootori?”
Ouka estava ajoelhada em um lugar e olhava para o teto, que tinha apenas uma saída de ventilação.
O que ela está fazendo?
Ele pensou que ela estava atordoada, então em vez de confiar nos fones de ouvidos ele sinalizou com gestos.
Afirmativo.
Um momento depois, ela fez um gesto e desapareceu.
Até aqui tudo bem, não vamos estragar tudo agora.
Takeru subiu as escadas, mantendo vigilância e chegou ao sétimo andar.
Ele confirmou a entrada da sala que tinham como objetivo.
“.......!”
Uma figura humana, apenas uma. O inimigo estava carregando uma arma enquanto fumava um cigarro.
“Inimigo localizado... uma pessoa na entrada da sala.”
Ele reportou aos outros membros enquanto esperava que Ouka viesse pelo lado oposto.
Se eles derrotassem o vigia e entrassem, os caras dentro do escritório provavelmente iriam notá-los. Considerando o risco de começarem um tiroteio no momento em que entrassem, seria melhor correr ao mesmo tempo que Usagi atirasse.
“En-Então, entraremos mais ou menos ao mesmo tempo. Usagi se encarregará das pessoas de dentro depois que contar até três após o sinal. Vou correr e atuarei como chamariz, dando o sinal, quando o vigia voltar sua atenção para mim, Ootori atirará nele por trás. Enquanto isso eu vou correr para dentro da sala... alguma coisa assim... tudo bem assim?”
Afirmativo
E-Esse é um plano razoável vindo de você. E-En-Entendo, e-está bem, não há problema, a-a propósito, devo disparar depois de contar até zero ou até u-um--?
Você está contando, por isso não importa— Bom, faça o seu melhor—
A única pessoa que não estava envolvida nesta operação estava realmente motivada. Ele fingiu não ouvir.
Takeru esperou Ouka aparecer do outro lado.
Foi nesse momento que ele escutou as vozes fracas vindo da sala de transação.
“... Espero que você não tenha sido seguido, você foi?.”
“Não se preocupe, pedimos emprestado a segurança do escritório. Você não terá nenhum problema. Eu prefiro não ter que usar isso aqui.”
“Eu não me importo se você pensar nisso como uma recompensa opcional. Use-o ou  venda, faça o que quiser com isso. A propósito, escutei que sua organização foi esmagada pela Inquisição, está realmente tudo bem?”
“Eu já disse que não tem nenhum problema, caramba.”
Já que as paredes eram finas, as vozes a atravessavam.
Julgando o assunto, não havia dúvidas de que a informação roubada por Ikaruga era correta.
“... Então, você trouxe?”
“É como você vê.”
O som de roupas se esfregando.
“... De fato. Muito bem, a recompensa já foi deixada no local especificado.”
“Tem certeza que está tudo bem com isso? Não são só fragmentos?”
Takeru colocou o ouvido contra a parede.
Fragmentos? Não é o [Trackless Psalms]?
“Isso não é da sua conta, não tente meter seu nariz nisto.”
“... Que mulher irritante... a propósito, há algo mais que eu quero que você compre.”
“.......?”
“Hey, me mostre.”
Escutou algo esfregando novamente.
“... o que é isso.”
“A primeira edição do [Trackless Psalms], um livro que eu peguei durante a confusão. Definitivamente é algo melhor que essa merda. Que tal isso, você pode dar seu próprio preço.”
“...Sério, homens são um bando de idiotas.”
A voz ecoou na tensa atmosfera.
“Estão subestimando a Inquisição. Realmente acredita que eles não se deram conta?”
“... Eh?”
“A razão pela qual sua organização foi destruída é este livro. Enquanto um livro assim estiver perdido, eles irão persegui-lo freneticamente até os confins da Terra.”
Depois de ouvir algo perturbador, suor escorreu pelo rosto de Takeru.
Eles vão notar o assalto. Seria muito ruim se eles notassem e ficassem alertas.
Estou na posição combinada. Suas ordens.
Ouka relatou a ele no último momento. Takeru pegou o bastão que segurava em sua cintura. Segurando-o com firmeza, ele ligou o batão de corrente elétrica.
“Todos prontos?”
Não há problemas.”
Q-q-quando quiser!
Ao ouvir as respostas, ele firmou os pés.
Seus olhar era penetrante.
“Começar Operação!”
Takeru chamou a atenção do inimigo saltando de um canto.
Obviamente, o inimigo notou e apontou o cano de sua arma para ele.
Takeru correu até o inimigo sem parar enquanto segurava o bastão em sua mão esquerda.
Um ataque suicida. um falso, obviamente.
Dois tiros por trás. O inimigo havia desmoronado imediatamente após o tiroteio.
Ouka fez tudo de acordo com o plano.
Ao mesmo tempo.
E-eu fiz, me encarreguei dos dois idiotas no escritório! Como esperado de mim! Você viu isso, Kusanagi??
Por causa da impaciência de Usagi, o tempo entre os tiros foi um pouco irregular, mas não havia nenhum problema. Tekeru passou pelo inimigo caído e correu na direção do escritório, ficando de costas para a parede ao lado da porta.
Quando Ouka rapidamente balançou a cabeça positivamente, Takeru chutou a porta e invadiu o escritório.
“--- Inquisição, parados!”
Tudo acabou bem, Takeru sentiu-se feliz por isso.
Eles haviam ganhado seus primeiros pontos. Embora ainda estivessem longe da quota de promoção, com isso ainda havia esperança.
......
“... Eeh?”
Vendo a cena que os esperava do outro lado da porta, Takeru ficou chocado.
Ele certamente havia confirmado. Ele havia confirmado com Usagi através do rádio antes de invadir. Duas pessoas, ambas abatidas, ela havia dito. Ele definitivamente não tinha escutado errado.
Apesar de tudo...
Haviam sete Onii-sans vestidos de preto apontando suas armas para eles.
“Umm... Usagi...-san?”
O que aconteceu. Você já viu os dois idiotas que eu derrubei!? Não é incrível! Eu os acertei em seus cérebros podres! Ohohohoho!
“Umm, na minha frente, em vez de dois, tem sete Onii-sans me cercando.”
Isso é impossível! Eu me assegurei de derrubá-los!? Duas pessoas com uniformes de guardas de segurança!
Sem sequer ter que pensar sobre isso, Takeru entendeu o que havia acontecido.
“Você... esse... esse é o edifício do lado oposto.”
... Ah.”
“Você atirou em dois seguranças!? Por que você atiraria em guardas de segurança!? Você não poderia perceber isso só olhando!?”
.......... e- e- es- essas coisas... Acontecem às vezes.”
Até parece!! Não seria piada se não fossem apenas balas anestésicas!!
Embora Takeru quisesse retrucar, este também era um erro do capitão. Ele devia ter previsto que algo assim poderia ocorrer, devido ao irremediável medo de palco de Usagi, o qual a fazia tomar ações que normalmente seriam impossíveis.
Haviam nove inimigos, para ser exato. Sete deles pareciam ser mafiosos, vestidos de sobretudo e chapéu, de modo que seus rostos não eram visíveis – e uma silhueta próxima a janela, que provavelmente pertencia a uma mulher.
E mais uma.
Vendo a presença mais inesperada, Takeru foi incapaz de se livrar da sensação de assombro. Por que tinha uma coisa dessas nesse lugar.
Um humanoide coberto por uma grossa armadura. Uma silhueta redonda muito maior que um humano.
Não havia dúvida. Ainda não estava tripulado, mas era um exoesqueleto de infantaria fortemente blindado, usado pela inquisição no passado, um [Dragoon].
Que demônios! Não havia escutado de uma organização que tivesse um desses!
Não importa como se pense, isso não é algo que qualquer grupo de bandidos um teria. Ao que parece, o julgamento de Ikaruga estava equivocado. Era muito perigoso para ser uma mera venda de Herança Magica de rank-D. Ao contrário dos sete homens, confusos com a intervenção repentina, a mulher já havia posto uma das pernas na janela.
“Não é exatamente como eu te disse. Eu vou embora, deixo a limpeza em suas mãos.”
Depois de dizer isso, a mulher chutou a janela. Ela olhou diretamente para Takeru antes de saltar.
“---- Espere!”
Takeru tentou correr até ela, mas a mulher saltou antes disso. Este era o sétimo andar. Um humano normal não poderia evitar se ferir.
Mas antes que Takeru pudesse correr até a janela, um homem, que parecia se o líder, apontou sua arma para ele.
“Não se mova...”
“Es- este garoto disse que era da inquisição, isso é ruim, não é?”
“Não entre em pânico. Temos um [Dargoon] aqui. E além do mais, olhe bem para este garoto, ele não parece ser da Inquisição regular, mas sim de algum pelotão de teste, certo? Você é um estudante da Antimagic Academy, não é? O que um novato como você está fazendo em um lugar como este?”
Além da pessoa que parecia ser o líder, haviam cinco pessoas comandadas por ele. Também, em um canto da sala, havia um homem que parecia um bandido, segurando o [Trackless Psalms] enquanto murmurava algo.
A situação era desesperadora. Embora ele tivesse confiança em vencer se fosse uma luta de um contra um, mesmo usando o bastão ele não conseguiria lidar com sete pessoas e um [Dragoon].
“Ootori... não entre.”
Com o propósito de encobrir suas palavras, ele falou como se estivesse expirando.
Se eles percebessem que havia outra pessoa atrás dele, Ouka seria envolvida.
O líder inimigo sorria sem medo. Ele tinha o sorriso de uma pessoa confiante em sua vitória. Takeru havia visto esse sorriso muitas vezes, era um sorriso que não escondia a verdadeira natureza da pessoa. Se fosse o Takeru de antes, que tinha uma grande quantidade de orgulho, ele já teria atacado.
“Ha-haha... um... E-eu apenas me perdi um pouco no caminho da escola para minha casa.”
Entretanto, o Takeru atual não faria coisas imprudentes. Ou melhor, ele não podia fazer.
Ele deu um sorriso forçado e uma desculpa.
“Ooh, entendo. Se perdeu, isso é problemático, não é?”
“Si-sim. Bem... haha... hahaha”
“HAHAHAHAHAHA!”
“Aha-ahahaha... ha”
“De que demônios está rindo–? É Xeque Mate para você, bastardo.”
Em seguida, o líder mostrou a língua e pôs o dedo no gatilho. Os olhos de Takeru seguiram esse movimento.
O que devo fazer? Dar um tiro?   
Ele deixou cair o bastão e tocou o punho da espada em sua cintura com a ponta dos dedos.
O riso brotou em seu peito enquanto ele pensava nisso. Isso era ilusório. Uma espada ganhar contra uma arma de fogo, que ridículo. Há poucos anos, ele teria atacado sem pensar, mas agora, ele não queria tentar a sorte.
Posso me encarregar de dois... ou talvez três pessoas e, provavelmente, serei atingido por algumas balas depois.
Os alojamentos próximos são bons, mas seus números são ruins. Era literalmente um ataque ‘desesperado’.
Formas de sobreviver a isso lutando... não restou nenhuma.
... Não.
Havia uma. Uma saída para Takeru.
Não... isso não é bom. Será desastroso para mim de qualquer maneira...!
Tendo apenas uma saída, Takeru estava angustiado.
A ‘Técnica’ proibida pelas leis da escola de espadachins da Família Kusanagi estava disponível e era a única forma de escapar dessa situação.
Takeru balançou a cabeça e a ponta de seus dedos se afastaram do punho da espada.
O mais provável é que Ikaruga percebesse em que situação ele estava e entrasse em contato com a Inquisição, solicitando o envio de um Spriggan.
Até que os Cavaleiros Spriggans viessem, ele teria que ganhar tempo conversando.
"Ei, olhe para esse cara. Ele está carregando uma espada lá? Ele não tem nenhuma arma e em vez disso ele tem uma espada com ele! Gahahaha, é sério!? Ele está com algum problema de cabeça?"
Um dos inimigos havia insultado Takeru e começado a rir dele.
Percebendo isso, o grupo ao redor dele também começou a rir.
"A Inquisição nos dias de hoje com certeza é antiquada! É um terrível grande samurai!"
"Hoje em dia, até mesmo os policiais são obrigados a carregar um celular e uma arma. Você é louco, moleque!?"
Gyahahahaha. Enquanto a risada cheia de desprezo ecoava pela sala, Takeru parou o movimento de sua mão, arregalando os olhos.
Ele tem um parafuso a menos na cabeça. Está Desatualizado. Vamos ouvi-lo dizer -degozaru!
Um fluxo interminável de desprezo e insultos, vozes que ouvira muitas, muitas vezes antes.
Em resposta a essas vozes, uma sombra foi lentamente se formando no rosto de Takeru.
Ikaruga, que provavelmente percebera a situação, falou com ele pelo rádio.
"Isso é ruim... Kusanagi, não escute-os. Eu posso, de algum modo, dizer o que está acontecendo. Se você ficar com raiva aqui, isso vai se transformar no pior cenário possível."
"... Eu sei ..."
"Tente convencê-los, prolongar a conversa. Você não é mais o mesmo de antes. Eu admito que é tudo culpa da minha investigação falha, por favor—"
"Eu entendi...!!"
Começando pelos dedos, o ar quente arrastou-se como chamas por todo o corpo de Takeru. Ele sentiu seu corpo e sua cabeça ficarem quentes e cerrou os dentes.
Nesta situação, o lado negro de Takeru começou a surgir.
Suporte isso... lide com isso ... Eu sou diferente do meu eu do passado. Hoje em dia eu não posso perder a cabeça quando isso acontece... É óbvio que a espada é inferior a uma pistola e você sabe disso, Takeru! Deixe de lado esse orgulho desatualizado! Você pode suportar algo assim, tudo vai acabar bem...
Ele mordeu o lábio com força o suficiente para que sangue escorresse de seus lábios, tentando acalmar seu espírito por meio da dor.
Não é como fosse a primeira vez ... resista a isso ... resista, resista, resista, resista, resista...!
Takeru desesperadamente tentou conter sua raiva.
Se ele perdesse a cabeça ali, não iria criar problemas apenas para ele, mas para os outros membros também. Isso tinha que ser evitado, então Takeru engoliu a raiva.
——Mas.
"A esgrima, hum. Qual é a utilidade para ela? Isso é apenas sucata. Ferro que não pode vencer nem armas nem mágica. Você é sucata, seu bastardo de ferro."
Com essas palavras, o líder havia falado.
Houve um som de algo estalando dentro da cabeça de Takeru.
"Aah, acabou. Faça o que quiser."
O suspiro de Ikaruga não alcançou Takeru.
“Não se preocupe, não vamos matá-lo imediatamente. Não antes de vendermos seus órgãos, bastardo. Vamos fazer alguns furos nas suas pernas. Já que você é um samurai, pode suportar isso, não pode?”
A voz do inimigo já não o alcançava. Ele já não podia mais ser impedido.
O líder colocou força no dedo, segurando o gatilho da arma.
Ao mesmo tempo, os dedos de Takeru, lentamente, haviam tocado novamente a espada.
Junto com o flash do cano, uma bala voou para fora da arma, com o objetivo de perfurar o corpo de Takeru.
Contudo—
A bala, como em um vídeo em câmera lenta, leen... tamente continuou sua trajetória.
Não apenas a bala. Tudo dentro do campo de visão de Takeru teve sua velocidade reduzida e, uniformemente, entraram em câmera lenta.
A faísca do cano. O cabelo balançando com o impacto, a poeira dançando no ar, o barulho do lado de fora do prédio. Tudo.
O corpo de Takeru não era exceção. A mão puxando a espada teve sua velocidade drasticamente reduzida. Era como se ele lutasse submerso em cimento.
O mundo tornou-se estagnado, passivo, lento.
No entanto, o que estava acontecendo naquele momento era o completo oposto disso.
O mundo ao redor dele não teve sua velocidade reduzida. O tempo estava fluindo normalmente.
O que acelerou—
E deixou tudo para trás—


Foi o cérebro de Takeru.


Isso foi tudo.


Parte 2
No passado, a fim de obter força, Takeru recebeu os ensinamentos de um certo ‘monstro’.
Esse monstro, um ‘ex’ humano, foi, nos tempos modernos, a única pessoa a dominar completamente a esgrima chamada de Estilo Kusanagi de Dois Gumes.
Duas escolas haviam existido dentro do Estilo Kusanagi. Uma, bem conhecida pelo público, era o Estilo Kusanagi da Verdadeira Luz, que era ensinada na casa de Takeru. Era uma técnica de assassinato, com o propósito de matar outras pessoas.
Em contraste, o Estilo de Dois Gumes era usado para matar monstros, que andavam sobre a Terra milhares de anos atrás. Era uma técnica para se opor a coisas que não eram humanas.
Eram poucos aqueles que conheciam este último nos tempos modernos.
Takeru, a fim de aprender os ensinamentos do Estilo de Dois Gumes, para o bem de sua vingança, pediu ao monstro na frente dele.
——Quero vencer uma arma com uma espada.
——O que devo fazer para ganhar contra uma arma com uma espada?
... Takeru, isso é impossível. O corpo humano não pode se mover tão rápido quanto uma bala. Não importa o quanto você treine, não importa o quanto você aprenda esgrima, você não pode competir com a velocidade de uma bala.
——Por que a espada não pode ganhar?
Porque ela é muito rápida para você ver. Se você é qualificado e tem muita sorte, você pode ser capaz de parar uma bala, mas é só isso. Desista. "
——Mesmo assim, eu quero ganhar.
É impossível, eu disse. Você vai apenas morrer.
——Mesmo assim, eu quero ganhar.
「Pare com isso, você não pode vencer com uma espada.」
——Mesmo assim, eu quero ganhar!
Você não vai conseguir, é impossível.
——Mesmo assim, eu quero ganhar!!
............
............
Um.
Há apenas um caminho. Em troca, você vai se arrepender se você continuar a usá-lo. Ao invés de você mesmo, você irá ferir aqueles que estão perto de você.
——Eu não me importo, ensine-me!
Muito bem, eu vou reconhecer a sua determinação. Ouça Takeru, a coisa que você mais tem que treinar não é o seu corpo.
「O caminho para superar suas limitações está aqui, Takeru.」
——Onde?


Aqui, dentro de sua cabeça. Seu cérebro do tamanho de uma pulga.


Parte 3
*screeeeeeeeeeeeechhh*
Depois de escutarem um som metálico, todos no local mostraram surpresa.
Eles não podiam acreditar na cena diante de seus olhos. Esse era o tipo de expressão em seus rostos.
O líder deles tinha, definitivamente, atirado nele com sua arma. Sem dúvida, ele atirou em linha reta contra Takeru. A esta distância, até um amador ou uma criança, não teria problemas para acertar o tiro.
E, apesar disso, Takeru estava ileso.
Ele não caiu. Ele não sangrou. Ele não tinha nenhum buraco em qualquer parte do corpo.
O que havia lá era uma bala, cortada ao meio, rolando pelo chão e a figura silenciosa de Takeru com a espada desembainhada.
"... O... que...?"
A expressão do líder se contraiu e ele rapidamente disparou um segundo tiro.
E, novamente, ele não acertou. Apenas um som metálico encheu o ar.
Levou um tempo para reconhecer o fato de que Takeru tinha parado as balas usando uma espada.
Um Pesado silêncio tomou conta da sala.
"... Você disse..."
A voz de Takeru rasgou o silêncio. Pesada, áspera, era inimaginável que este tom ameaçador de voz viesse do menino covarde de antes.
"... Você disse 'ferro velho'... preparem-se, desgraçados."
Ele ergueu o rosto ligeiramente, o que espreitava por trás da longa franja era o rosto de um demônio.
Todos no local encolheram-se com medo.
Porque na frente deles havia um demônio empunhando uma espada.
Takeru gritou. Ele foi tranquilo, mas selvagem, como o rugido de um demônio.
"Iniciar Estilo Kusanagi de Dois Gumes, Kusanagi Takeru. Nem média, nem merda— Unilateralmente, eu vou cortar-te."


Diante de tamanho poder, ninguém foi capaz de se mover.
Takeru estava completamente preparado para a batalha; seus instintos de combate assumiram. Preparado com sua espada horizontalmente, ele exalava uma força que fazia as pessoas pensarem que eles seriam cortados no momento em que se movessem ou respirassem.
Os sete homens congelaram.
Eles ainda não podiam acreditar Takeru tinha cortado as balas.
Isso era natural. Era impossível que um ser humano pudesse ter uma habilidade que parecia ter sido tirada de um mangá.
Entretanto, o Estilo Kusanagi era uma escola de esgrima absurda, que dominava técnicas parecidas com as dos mangás.
O que Takeru havia utilizado era uma técnica própria da esgrima, ‘Soumatou’. O Estilo Kusanagi da Verdadeira Luz foi originado a partir de uma corrente do Estilo Kusanagi de Dois Gumes. Uma técnica herética feita para permitir a destruição de criaturas fantásticas chamadas de demônios, os quais estão mortos há muitas centenas de anos atrás, usando o próprio corpo de um ser humano.
Isso é o ‘Soumatou’.
Simplificando, ele desabilita temporariamente o limitador do cérebro do usuário, acelerando a capacidade de processamento. Em uma pessoa colocada na beira da vida e da morte, pressionada por condições extremas, é possível observar um aumento na utilização do cérebro.
Dizem que, como uma lanterna giratória, sua memória flui através de sua mente.
Dizem que o mundo começa a parecer como se estivesse em câmera lenta.
Dizem que a agitação faz com que eles ganhem uma incrível força.
Estes fenômenos resultam da ativação emergencial do cérebro, mas também existem teorias de que isso pode ser ativado devido a um mal funcionamento. Porém, tudo isso é o poder fornecido pelo instinto de sobrevivência.
O ‘Soumatou’, que ativa este instinto, pode ser chamado de Técnica Proibida do Estilo Kusanagi.
Os homens da Família Kusanagi haviam desenvolvido essa técnica para lutarem contra demônios.
"Esse cara...!!"
O líder ergueu a arma novamente, pronto para disparar.
Ele continuou puxando o gatilho até que suas balas acabassem.
Nenhuma das balas atingiu a sua meta — nem mesmo uma.
Apenas o som metálico das balas ricocheteando podia ser ouvido.
"... hiii."
Na sala cheia de fumaça de pólvora, Kusanagi Takeru estava intacto.
Takeru sorriu, mostrando que nem sequer fora incomodado.
À primeira vista, parecia que a situação tinha virado. Takeru parecia ter mais tempo, mas seu corpo não pensava da mesma forma.
A ativação do ‘Soumatou’ forçava o organismo a suportar uma carga ridiculamente pesada. Se ele se movesse demais, sua carne seria cortada e os ossos iriam quebrar. Uma vez que seu desempenho corporal não melhorava, apenas um movimento errado levaria a sua própria destruição.
O corpo não poderia manter-se com o cérebro sendo ‘sério’.
No momento, Takeru tinha várias fibras musculares rompidas nas pernas. Seus ossos doíam e a este ritmo eles iriam quebrar e ser esmagados.
Porém, no entanto,
"... Isso não é nada."
Como estava agora, Takeru havia deixado pensamentos razoáveis como esse para trás.
Takeru, que tinha um grande orgulho desde pequeno, acabava ficando de cabeça quente toda vez que alguém ridicularizava a esgrima. Desde que ele era muito pequeno, ele sempre foi conhecido como uma criança problemática pela vizinhança.
Começando com sua derrota no Segundo Ano do Ensino Médio, Takeru havia, finalmente, reexaminado seu próprio comportamento e foi capaz de mudar a si mesmo. Sua personalidade mudou para uma calma e ele parecia um garoto tímido aos olhos dos outros.
No entanto, depois que ele atingia os limites de sua paciência, o sangue subia a sua cabeça e sua personalidade violenta inicial vinha à tona.
"Quer se trate de sucata de ferro ou não, eu vou lhe mostrar agora. Em vez de vir um por um, venham todos de uma vez."
"Hi-hiiiii"
"Se você acha que é sucata de ferro, vou mostrar que nem mesmo sangue ficará na lâmina."
Mostrando um vislumbre dos caninos, Takeru riu com uma expressão furiosa.
Depois que ele ficava assim, ninguém poderia detê-lo.
Mesmo que todos os bandidos abaixassem suas cabeças, mesmo que eles usassem o Dragoon ou que os Spriggans chegassem, provavelmente ele não seria capaz de reprimir sua raiva.
Se existia alguém que pudesse parar Takeru,
Se havia alguém, essa só poderia ser——
"Onii-chan, por favor, não faça... um rosto tão assustador."
Apenas uma pessoa. Sua única família, sua irmã mais nova.
"——Eh!!"
Ouvindo a voz pelo comunicador, Takeru engasgou de surpresa.
Com essas simples palavras, a raiva de Takeru tinha sido levada pelo vento.
O que decidiu foi o "Onii-chan".
"Você se acalmou...? Kusanagi?"
"Eh!? Umm!? Agora mesmo, e-eh!?"
"Era a minha voz, seu Siscon. Como foi? Foi parecida?"
Agora que ela disse isso, Takeru pensou que o tom era consideravelmente diferente do de sua pequena irmã. Em primeiro lugar, era impossível que sua irmã mais nova estivesse junto com Ikaruga. Absolutamente impossível.
Takeru suspirou de alívio; se permanecesse assim, certamente a situação ficaria irreversível. E não por causa de matar o inimigo, mas por causa das consequências que o corpo de Takeru sofreria. Pensando normalmente, mesmo com o ‘Soumatou’ ativado, ele não seria capaz de ir contra sete atiradores treinados. Ele não poderia fazer nada se eles atirassem ao mesmo tempo. Seu corpo iria se autodestruir antes que ele derrotasse alguém. Ele não era forte o suficiente para fazer uma coisa dessas.
Grato por ser detido, ele baixou a espada.
"Então, o que você vai fazer nesta situação?"
Dito isso, Takeru olhou em volta e viu sete bandidos com suas armas apontadas para ele, todos com expressões assustadas em seus rostos.
Uma vez que ele havia os ameaçado com uma expressão assustadora, todos pensaram em derrubá-lo antes que ele pudesse chegar até eles e levaram os dedos aos gatilhos.
Agora eu consegui. Ele concluiu.
"A-Ahaha, o que antes foi uma piada. Ittsu um jyoukku! A coisa sobre cortar e não derramar sangue era, obviamente, uma piada. Você sabe, eu tenho essa doença específica para pessoas na puberdade, por causa da qual eu deixo escapar coisas para parecer que eu sou legal, aha-ahaha."
Depois de mostrar-lhes uma cena de balas sendo cortadas no meio do ar, era difícil passar isso como uma piada.
Depois de ver esse poder absurdo, era óbvio que eles iriam atacar em grupo.
Eh, o que eu faço? Será que eu devo largar a minha arma? Ou talvez eu deveria me ajoelhar? Eu sou bom nisso, mas eu acho que é tarde demais para me desculpar.
Os pensamentos giravam na cabeça de Takeru em alta velocidade.
*Parin*...
De repente, a única lâmpada fluorescente no teto quebrou.
Uma vez que a visibilidade foi subitamente perdida, todos pararam no lugar por um instante.
Foi quando Takeru viu.
Por cima dos sete caras, pelo respiradouro instalado no teto.
Algo cor-de-sol, desceu.
"Uwaghh!"
Aquilo pousou na cabeça do inimigo.
Todos olharam para o homem caído.
Lá, havia uma única garota. Enquanto sua saia e seu cabelo da cor do pôr do sol balançavam suavemente, ela chutou o homem.
Uma bonita garota incrivelmente fora de lugar.
Seus longos cabelos, que estavam balançando no ar, caíram lentamente, de acordo com as leis da gravidade.
No meio do cabelo, um profundo par de olhos azuis brilhava fortemente, como uma joia.


"Ootori!"
Takeru chamou seu nome.
"S... Sua puta ...!"
Uma pessoa tentou mudar seu alvo de Takeru para Ouka, mas Ouka moveu-se mais rápido.
Usando a impulsão de sua aterrissagem, ela chutou o homem sob ela e saltou na direção do homem que apontava sua arma para ela.
Usando a mão esquerda, ela pressionou a arma do inimigo.
Ela mal tocou e a arma do inimigo já tinha rolado para o chão.
Ouka não parou. Ao mesmo tempo, ela neutralizou a arma de outra pessoa, usando sua velocidade de reação comparativamente elevada, ela atirou em outros dois. Balas anestésicas atingiram os dois alvos no peito e os mandou para a terra dos sonhos.
Seus movimentos eram como os de um rio de forte correnteza. Em uma fração de segundo, o cotovelo dela irrompeu no queixo de um homem que havia derrubado sua arma devido a surpresa e ela saltou, virando o corpo em pleno ar.
Com a flexibilidade de um leopardo, ela dançou no ar, acertando um poderoso chute aéreo no rosto de outro homem.
De repente, o último homem restando, que havia perdido todos os seus companheiros, só conseguiu ficar parado, completamente confuso.
Desamparado, ele foi derrubado por Ouka e caiu de costas.
“Uwahh”
Ele gritou. Sentindo a dor nas costas, ele abriu os olhos no último momento.
Uma garota incrivelmente bonita – foi o que surgiu em seu campo de visão.
Vendo a garota olhar para ele, o homem estava atordoado. Aquela cena era muito semelhante a que Takeru havia experimentado no Jogo Eliminatório no Ensino Médio.
Muito bonito, muito forte, ele era completamente incapaz de falar.
Enquanto ele estava deitado ali, impressionado, uma arma estava apontada para sua barriga. Atingido por uma bala anestésica a queima-roupa, infelizmente ele perdeu a consciência.
Tudo isso aconteceu em um piscar de olhos.
Ouka levantou-se com uma expressão legal e varreu o cabelo de lado.
——Entretanto, ainda não havia acabado.
Havia uma existência que não podia ser ignorada, uma enorme sombra atrás Ouka.
"Atrás de você!"
Takeru instintivamente gritou para ela.
Deveria estar não tripulado, mas o homem que estava segurando o [Trackless Psalms] parecia ter embarcado durante o tumulto.
O Dragoon balançou seu enorme braço. Ouka encarou Takeru, ainda com uma expressão legal.
"——Para baixo. Não interfira."
Ela disse para Takeru.
E no momento seguinte, Ouka instantaneamente desapareceu.
Cortando o ar, um enorme punho quebrou o chão do escritório.
"Porra, eu perdi!?"
Uma voz ressoou, irritada, de dentro do Dragoon. Ouka saltou em direção a ele e, depois de rolar, ela ajoelhou-se, trocando a munição, de balas de anestesia para munição real.
O Dragoon balançou seu punho para baixo, tentando capturá-la.
Ouka moveu-se mais rápido que o Dragoon e rapidamente disparou três vezes em direção a articulação do braço direito do inimigo. Obviamente, mesmo com munição real, ela não tinha poder o bastante para danificá-lo.
"Eu não vou me deixar ser pego em um lugar como eeeeeeeeeeste."
Junto com o grito assustado, o cano de uma pequena arma, equipada no braço esquerdo do Dragoon, fez um barulho de rotação assustador.
"Isso é ruim!"
Takeru instantaneamente deitou-se, protegendo a cabeça.
Ouka começou a correr pelo escritório e, no mesmo instante, uma tempestade giratória de balas encheu a sala, saindo do tambor giratório.
O som de tiros preencheu completamente o escritório, sobrepondo-se a quaisquer outros sons. As mini balas perseguiram Ouka e destruíram não só mesas e cadeiras, mas também a parede.
Ouka corria ao longo da parede do escritório, apesar do poderoso impacto retumbante atrás dela. Ela estava puxando o gatilho várias vezes, atirando em direção ao braço do Dragoon com calma.
Com poeira e pedaços de madeira se espalhando e voando por toda parte, a garota estava correndo na frente de um inferno de balas. Seu cabelo brilhava, como se fosse uma lâmpada no centro de toda aquela confusão. Depois de alcançar o canto do escritório, Ouka chutou o chão e saltou em direção ao Dragoon neste momento.
Ela deslizou, as balas voavam sobre sua cabeça, quase atingindo-a enquanto ela passava.
Depois de deslizar no chão, Ouka se arrastou sob o Dragoon, buscando seu lado direito.
Ele era muito grande, mas uma vez que ela se aproximasse do Dragoon, ela não teria mais que se preocupar com as mini balas. No entanto, um combate corpo a corpo com o Dragoon a esperava.
O enorme punho direito estava virado para cima. Ouka manteve-se no chão, olhando para cima.
Pensando que ele iria esmagá-la a esse ritmo, Takeru reflexivamente estava prestes a ativar o ‘Soumatou’, quando,
*... Clank .... Clank ... Clank ...!*
O braço direito do dragão fez um som estridente.
O braço direito não desceu, ele apenas parou no meio do ar. Ele não se movia e apenas rangia sonoramente.
"Por-por quê!?"
O homem pilotando aquilo gritou.
Takeru olhou para o braço do Dragoon, também surpreso.
Três balas estavam presas em uma fenda entre as articulações e incapacitavam qualquer movimento das engrenagens. A única forma de concertá-lo seria remover as balas manualmente durante a manutenção.
"Um dos pontos fracos do Dragoon é a vulnerabilidade das articulações. Essa coisa não foi feita para o combate de perto."
"Mes-mesmo assim... não é algo que você possa parar com uma arma, certo!?"
O que o homem disse era razoável.
Pontaria Divina. A diferença entre os tiros era de, no máximo, três centímetros. Era algo impossível para um ser humano normal. Mesmo se sua arma sacrificasse poder para aumentar a precisão. E acima de tudo, fazer algo assim no meio de uma batalha, não era algo normal.
"Me-merda! Mova-se! Mova-se, caramba!"
Embora o piloto tentasse fazer o Dragoon se mover, o braço imobilizado permanecia lá, parado no ar.
Nesse momento, o piloto já havia perdido Ouka de vista.
Onde ela está? Antes que ele pudesse pensar nisso,
*Bam*... O piloto sentiu uma ligeira vibração na parte traseira.
"............"
Na parte traseira do Dragoon, que estava ajoelhado, sobre a armadura, estava uma garota com o cabelo da cor do pôr do sol.
Seu olhar frio e sua arma estavam ambos voltados para a parte inferior do pescoço do Dragoon, onde estava equipada uma porta de escape.
"Mo-monst—"
Monstro. No momento em que ele tentou dizer isso.
Pressionando a arma contra a pequena porta de escape, Ouka puxou o gatilho.
"Guaaaaaaaahhhhh"
Um grito veio de dentro do Dragoon e o enorme corpo balançou vigorosamente. Ouka manteve-se firme sobre a cabeça do Dragoon e não foi arremessada para longe. Mesmo que seu corpo e cabelo tenham sido agitados com força, ela continuou a disparar balas em direção ao interior através da porta de escape até que sua munição acabasse.
As balas que entraram pela porta de escape ricochetearam violentamente lá dentro, destruindo os equipamentos e perfurando o corpo do piloto.
Quando ela parou de atirar, o Dragoon finalmente havia parado de se mover e fumaça subia de dentro dele.
A escotilha da cabine abriu e a fumaça violentamente escapou.
"... Gah... ughh... haa..."
O piloto mostrou-se. Duas balas o atingiram, uma na perna e outra no ombro.
Ela realmente havia derrotado um Dragoon usando apenas seu próprio corpo.
Ouka, sozinha, havia eliminado um adversário que, normalmente, exigiria uma arma antitanque, usando uma sub-arma. Takeru perguntou-se se havia precedente de tal ato.
Ele já sabia disso, mas.
Mesmo que ele já soubesse disso desde o começo.
... Ela está em um nível completamente  diferente.
Enquanto Takeru estava sem palavras, em outra parte do escritório o piloto respirava com dificuldade e tinha a arma de Ouka, que colocara um pé na escotilha, apontada para ele.
"... É assim que acaba quando amadores tentam pilotar um Dragoon. Você aprendeu alguma coisa?"
"... Merda... merda... caramba...!"
"Pode ser apenas uma sucata ultrapassada, mas usar um Dragoon é contra a lei. No caso do operador ser hostil, nós temos autorização de atirar para matar."
"He... hehehe... Faça isso... Eu te desafio, vo-você não pode fazer isso, de qualquer maneira."
"............."
"Vocês bastardos não vão atirar em pessoas indefesas. Eu sei muito bem disso."


Enquanto o homem a insultava, Ouka permanecia em silêncio. Devido a isso, o homem ficou ainda mais arrogante.
"Viu? Você não está atirando."
"..........."
"Mesmo se eu matar crianças na sua frente, tudo o que você pode fazer é olhar para mim desse jeito."
——Naquele momento.
Tiros ressoaram.
"Gaaaaaaaaaaaahhhh! Aah! Dói! Dóóóóóóóóóói!"
O homem segurava sua perna esquerda, que deveria estar intacta.
Takeru estava atordoado, incapaz de se mover, mas ele imediatamente percebeu que Ouka havia puxado o gatilho.
"He-hey!"
Takeru tentou correr até lá, mas suas pernas subitamente pararam.
Com os olhos azul-cobalto bem abertos, Ouka olhava para o homem enquanto ele sofria.
Em suas pupilas havia algo muito, muito perigoso.
"Be-desculpe! Me-me perdoe! Não vou atirar em ninguém! Eu vou devolver isso! Leve-o de volta!"
O homem tirou o [Trackless Psalms] do bolso e ofereceu fracamente.
Ouka olhou para ele e sua expressão lentamente escureceu, tornando-se mais afiada.
"Foi você que me disse para fazer isso."
"... Ugh... isso foi..."
"Eu pensei que você queria ser morto, estou errada? Isso é realmente conveniente, na verdade, isso me ajuda muito."
"Is-isso era uma piada! Uma piada que eu contei a você...! Peço desculpas, então por favor poupe-me!"
Enquanto o homem implorava miseravelmente diante dela, Ouka estreitou os olhos bruscamente. O som dos gritos do homem chorando ecoava pelo escritório.
Enquanto isso, a boca de Ouka tremeu.
Takeru certamente ouviu uma voz tranquila.
"Lixo... lixo... apesar de ter uma grande força, você não a usa corretamente. Vocês, bastardos, usarem seu poder para ferir os outros para seu próprio lucro... Isso me faz querer vomitar."
Takeru sentiu o ódio e a clara intenção assassina. Ele não sabia o que a tinha irritado até tal ponto.
Ele tinha um pressentimento sinistro.
A súbita intenção assassina que brotara nela, fez com que Takeru se lembrasse de algo familiar.
"... Eu vou exterminar vocês, seus bastardos, bruxas também... tudo...!"
Ouka moveu a arma da perna para a cabeça do homem. Quando ela estava prestes a disparar, Takeru gritou.
"E-Ei, o que diabos você está fazendo! Isso é o bastante, não é!?"
"O adversário está armado com um exoesqueleto reforçado. Este tratamento é permitido, Capitão."
"Armado com... ele está completamente impotente agora!"
"Entendo. Você está certo. Mas ele ainda tem uma Herança Mágica. Ohh... Eu encontrei uma razão para matá-lo."
"Isso é exagero! Ele está oferecendo-a para você! Então, que razão você vai inventar agora!?"
"Silêncio. Ele é meu. Se eu não estivesse aqui, você teria sido derrotado. Uma vez que sabe disso, apenas fique calado e observe."
"... O qu..."
Ouka não deu ouvidos às palavras de Takeru, que era seu capitão.
Isso claramente não era algo que um profissional faria. Inquisidores eram autorizados a atirar para matar apenas em circunstâncias limitadas. Matar um adversário indefeso seria problemático.
Ela disse claramente que ela estava errada, mas não porque ele quisesse proteger o homem. Na verdade, Takeru não se importava com o que aconteceria a esse tipo de escória.
Matar este homem iria acabar se mostrando um problema para Ouka e para o resto do pelotão. Agora, como Capitão, ele tinha que pará-la não importa como.
"Bem, então ... vamos começar a caça às bruxas."
Como se estivesse olhando para uma formiga, Ouka soltou uma risada distorcida.
——Faça-o a tempo!!
Takeru ativou o ‘Soumatou’ em uma fração de segundo. Seu corpo moveu-se antes que ele pudesse tomar uma decisão dentro de sua cabeça.
Sentindo a pressão em todo o corpo, como se estivesse se movendo em cimento. Ele correu no mundo em câmera lenta.
"... o que—"
Ouka revelou uma expressão de surpresa. Takeru que, supostamente, estava muito atrás dela, de repente estava diante dela e protegia o homem, agarrando a mão dela.
Segurando o pulso de Ouka, Takeru estava prestes a repreende-la com um olhar sério.
No entanto,
"? !! Owaah!"
"--Guuhh."
Como o impacto do ‘Soumatou’ era muito forte, sua postura entrou em colapso e Takeru e Ouka caíram no chão juntos.
"Isso dói--"
Ele ergueu o corpo, enquanto esfregava a cabeça. Em seguida, ele abriu os olhos.
...........
E congelou.
"---"
"..........."
Quando eles caíram, Takeru ficou por cima de Ouka e a mão que, supostamente, deveria estar descansado no chão, sentiu algo desconhecido. Um balão de água? Um marshmallow? Uma bola de borracha? Aquilo não se encaixava em nenhuma categoria, era uma protuberância quente e macia.
Apenas de sentir isso, sua frequência cardíaca acelerou.
"---"


As palavras não saíam. Tudo dentro de sua cabeça era uma impressão honesta e a vontade de dizer “Muito grande”.
Não houve qualquer alteração na expressão de Ouka, mas seu rosto estava tingido ligeiramente vermelho.
"Es-está tudo bem."
Desesperado, Takeru disse isso. Ele mesmo não fazia ideia se estava tudo bem ou não, mas ele estava à procura das palavras que o salvariam naquela situação.
"Porque Eu sou...."
"............"
"Porque – Eu sou da facção dos seios pequenos!"
... *Chakin*
"Desculpe, eu menti! Esse não é o problema! Por favor me perdoe, eu perdi o controle, por favor me perdoe!"
Tendo uma arma apontada para sua testa, Takeru mudou sua postura, levantando ambas as mãos, mostrando sua rendição.
Com um rosto vermelho brilhante, Ouka levantou-se e apontou sua arma para ele.
"... Uuuu.. uuuuuu...."
Ela rosnou, constrangida. Embora possa ser rude dizer que aquilo foi inesperado, ela era, surpreendentemente, uma donzela. Baseado em tudo o que ele havia visto dela quando lutaram no Ensino Médio, ele tinha a impressão de que ela era muito pouco feminina. Ele tinha certeza de que ela iria apenas estapeá-lo com frieza ou apenas dizer “Você pode se mover?”, em resposta.
Os olhos dela ficaram marejados. Ela tem partes muito fofas, ele acabou pensando.
E que ele iria levar um tiro, definitivamente seria baleado.
"Espere, acalme-se, Ootori!"
"Apresse-se – e saia logo de cima de miiiiiiiim!!"
Ela colocou força no dedo, apertando o gatilho. Takeru estava certo de que iria morrer.
No momento seguinte.
Mesmo que ele devesse ter sido baleado na testa, de algum modo a dor vinha da parte de trás de sua cabeça.
"...eh, O... que?"
Takeru tentou olhar para trás, mas não conseguiu.


A força deixou seu corpo, e seu rosto caiu sobre o peito de Ouka com um *boing*. Embora parecesse que sua cabeça estava sendo espancada, ele já não sentia mais a dor.
"De-desta vez, eu os de-derrubei? Eu os derrubei, não foi!? Si-sim, vi-viva! Eu consegui!!"
Uma voz alegre veio do rádio. Enquanto a consciência de Takeru estava desaparecendo, ele compreendeu.


Quem atirou em Takeru não foi Ouka, mas sim Usagi. Certamente, ela não fazia ideia do que estava acontecendo e tinha acabado tirando conclusões errôneas sobre a situação e confundido Takeru com um inimigo. O fato de que era uma bala anestésica era uma benção disfarçada.
Foi o resultado de deixar de relatar a situação.
"No fim das contas ... acaba assim, hum..."
Você colhe o que planta. Antes que pudesse dizer isso, Takeru perdeu a consciência.


"Que alívio...!"
Ouka violentamente empurrou Takeru, que tinha desmaiado sobre seus seios com uma expressão feliz, para longe. Tirando o rádio barulhento que estava em seus ouvidos, ela, em seguida, arrumou o cabelo cor de pôr do sol, aborrecida.
"Os pequenos peixes, os peixes pequenos... foi o que eu ouvi, mas não esperava que fosse tão ruim."
Com uma expressão horrorizada, ela colocou a mão sobre a testa.
Depois de rolar pelo chão, Takeru parecia ter um pesadelo sobre ser perseguido por cobradores de dívidas. Ouka franziu as sobrancelhas com raiva.
Se Ouka não estivesse aqui, a missão desta vez provavelmente teria falhado. Se o 35º Pelotão tivesse apenas os bandidos como adversários, eles conseguiriam de algum modo, mas era uma história diferente com o Dragoon.
Aquilo claramente ultrapassava o nível de estudantes. Se não fosse por Ouka, eles teriam sido dizimados.
Estranho...
Ouka apertou os olhos enquanto olhava para o Dragoon quebrado.
“Esses caras não deveriam ter algo como um Dragoon. Embora eles estivessem em posse do [Trackless Psalms], se você considerasse o nível da Herança Mágica, isso era estranho. Isso significa que havia algo a mais. Tinha que haver algo a mais por trás disso.”
No momento em que Ouka pensou nisso,
"Mmmm, mmmmm, eu sinto muito, na próxima semana... na próxima semana, com certeza eu vou pagar... parem... não destruam os móveis... mmmm.... mmm...."
"............"
Seus pensamentos foram interrompidos pelos absurdos que o garoto falava ao seu lado enquanto dormia. As bochechas de Ouka se contraíram.
"De todas as coisas, esse cara é o capitão..."
Ela suspirou.
"Haa, por que é que o presidente considerou dar um Comedor de Relíquias para caras como estes?"
Ouka murmurou para si mesma com uma expressão cansada, suas pupilas exibiam decepção e estavam voltadas diretamente para Takeru.
Ela olhou fixamente para Takeru, enquanto ele fazia uma expressão infeliz.
Não pode fazer nada além de combate corpo a corpo, é covarde, sua liderança é ruim... não há nada de bom sobre ele. Além disso, seu defeito é ficar facilmente irritado.
Não importa como ela olhasse para ele, era decepcionante.
Mas... me impedir de ficar fora de controle... esse cara foi o primeiro.
Mesmo que ela considerasse aquilo como uma coisa boa, não havia gratidão nela.
Ouka estava ciente de suas próprias deficiências; esse hábito fatal estava no caminho do propósito de Ouka.
Enquanto ela pensava assim, um sorriso irônico apareceu em seu rosto.
"............"
Enquanto olhava para a expressão sonolenta de Tkeru, Ouka sentiu a sensação ilusória de que o peso sobre seus ombros ficava um pouco menor.
Uma pequena esperança surgira em seu coração.
A solidão no coração de Ouka diminuiu ligeiramente.
É por isso que Ouka ousou,
——Ela ousou.
"... Depois de todo esse tempo."
Ela descartou suas expectativas e desviou seus olhos de Takeru, olhando para o céu noturno do lado de fora da janela.
O céu estava iluminado pelas luzes de neon da cidade e nem mesmo uma única estrela podia ser vista.


Parte 4
No telhado de um edifício ao longe.
Daquele lugar, uma menina de azul celeste assistiu a tudo.
Acima do tanque de água, suas pernas estavam em pleno ar e imóveis e seus cabelos esvoaçavam ao vento.
Uma única garota sob o céu noturno.
"... Kusanagi... Takeru..."
O cabelo da menina que sussurrou o nome dela flutuava, ignorando as leis da gravidade.
Como a areia que se erguia do chão, ele refletia o luar.

Ao redor da garota, dançando como vaga-lumes, haviam partículas azuis brilhando.