Esse era o
aluguel mensal do Apartamentos Corona para o Apartamento 106.
Apartamentos
Corona era um prédio residencial de madeira com vinte e cinco anos de idade.
Era barato inicialmente, já que estava bastante afastado do centro da cidade,
mas cinco mil ienes em um apartamento de seis tatames com cozinha, banheiro e
uma área de banho era demais. Na verdade, o aluguel de todos os demais
apartamentos do Apartamentos Corona era dez vezes maior. Além disso, no
apartamento 106 não tinha que pagar nenhum adiantamento, nem pelas chaves e foram
dispensados todos os custos de ajuda mútua.
Havia uma única
razão pela qual o apartamento 106 era muito barato: até agora, todos os demais inquilinos
haviam abandonado antes do término do contrato. Era normal que o inquilino
fosse embora mais ou menos em três dias. O mais rápido durou três horas, e o
que durou mais ficou três meses. Graças a isto, o aluguel diminuiu. Apesar de
ter começado com um valor alto. No início do ano era de dez mil ienes mas,
antes de a primavera chegar, já havia sidoreduzido a cinco mil.
“Tenha cuidado
com isso, McKenzie. Esse quadro vale mais que sua vida”.
Disse o garroto
se movendo dentro da casa barata.
“O que está
dizendo, Kou? Sempre sou mais cuidadoso que você”.
“Se você entende
está tudo bem. Continue com o trabalho, McKenzie-kun”.
“Sim, sim, quem
está te ajudando na mudança aqui...? Francamente”.
O que estava se
mudando era Satomi Koutaro. Seu amigo de infância, Matsudaira Kenji, o chamava
de Kou e, em troca, Koutarou o chamava de McKenzie. Ambos tinham 15 anos, e
após sua cerimônia de entrada na escola em dois dias, virariam estudantes do
primeiro ano.
Hoje era sábado,
quatro de abril.
Graças a urgente
realocação do trabalho de seu pai, a partir desta primavera Koutarou viveria
sozinho. Por isso foi a agência imobiliária e encontrou o Apartamentos Corona.
Dado que o seu pai o criava sozinho, Koutarou aproveitou a oportunidade para se
tornar uma carga menor. E, devido ao aluguel ser tão baixo, aceitou com entusiasmo
sem perguntar o porquê.
“De qualquer
forma, Kou, ainda bem que você conseguiu encontrar um apartamento vazio nessa
época do ano, não é?”
“Tive sorte. Meu
pai só me contou de sua transferência recentemente, por isso o aceitei.”
Durante os dois meses e meio depois que a
transferência foi decidida, Koutarou terminou seus exames para ingressar no
colégio, em seguida esperou pelos resultados.
“De qualquer
forma, se o colega de trabalho não pode ir porque estava ferido, suponho que
não havia forma de evitá-lo.”
“Isso é
verdade.”
Originalmente, a
transferência não era para o pai de Koutarou, e sim para um colega de trabalho.
Porem, esse colega ficou gravemente ferido em um acidente, por isso o pai de
Koutarou foi escolhido em seu lugar.
“Me surpreendeu
já que foi repentino, mas é uma boa oportunidade para me tornar independente.
Já sou um estudante do ensino médio, depois de tudo”.
“Uma atitude
positiva, eh.”
“Eu comemoro
minha jornada como um homem.”
“Que diabos foi
isso?”
Ambos carregavam
uma mala. Estavam fazendo viagens levando a bagagem do caminhão da companhia de
mudanças já há um tempo.
“Posso por a
geladeira ao lado do lavatório?”
Um homem de meia
idade com roupa de trabalho colocou a cabeça para fora do apartamento 106 e
perguntou isso. Ele era o motorista do caminhão de mudança, e também estava
carregando as bagagens.
“Sim, por
favor!”
“Entendido.”
Ao escuta a
resposta de Koutarou, o homem voltou para dentro da casa; Koutarou e Kenji o
seguiram.
“Isto custa
cinco mil ienes ao mês... isso é muito barato.”
Kenji suspirou
de novo ao passar pela porta.
“Você está com inveja.”
“Se é apenas de
cinco mil, gostaria de ter alugado.”
O apartamento
era bastante antiquado. O corredor da entrada tinha piso de madeira, e além do
mais era um apartamento de seis tatames. Havia uma pequena cozinha no lado
direito do corredor, e ao lado esquerdo estava o banheiro e a área de banho.
Sem dúvida parecia antiquado, mas estava limpo e bem cuidado.
“Olhe Kou, você
vai bater no teto”
“Entendi,
entendi.”
“É serio? Velho,
estamos passando”.
“Oh, me
desculpe, Quatro olhos-kun.”
Passando o homem
que estava colocando a geladeira, Koutaro e Kenji entraram na sala principal.
Ambos abriram caminho através da bagagem e caixas de papelão empilhadas pelo
apartamento.
“O que faremos
com essa mala?”
“Hummm, vamos
coloca-la no armário, na parte de baixo.”
“Ok.”
Puseram a mala
no armário, e quando haviam se endireitado, o homem da mudança entrou no
apartamento.
“Senhor, essa é
a ultima bagagem”?
“Ah, sim, isto é
tudo.”
“Muito bem,
então eu irei embora.”
“Obrigado pela
sua ajuda.”
Koutarou havia
aumentado a quantidade de mão de obra, então se curvou para o homem da mudança.
“Sou eu que devo
me inclinar, e agradeço por nos escolher.”
Disse o homem da
mudança enquanto se inclinava com um suave sorriso. Então, deixando para trás
uns papeis, saiu do apartamento.
“Bom, então,
podemos ter um descanso agora.”
“Ei, McKenzie.”
Koutarou lançou
uma garrafa de plástico com chá para Kenji, que estava ajustando seus óculos.
“Whoa,
obrigado.”
Kenji agarrou
facilmente a garrafa. Estava acostumado com esse tipo de coisa, já que haviam
sido amigos durante muito tempo.
“Me desculpe
está um pouco quente. A geladeira acabou de ser instalada.”
Ao dizer isto,
Koutarou tirou sua própria garrafa da sacola de plástico que havia comprado antes
na loja de conveniência.
“Eu sei.”
Eles abriram
simultaneamente suas garrafas com um crack e beberam.
“Haah, estou
vivo outra vez!”
Koutarou se
sentou no segundo nível das caixas papelão, enquanto estava bebendo, e Kenji se
apoiou no marco da porta. Então, o calendário pendurado na parede chamou sua
atenção.
“O tempo passa
rapidamente. A Cerimônia de entrada já é daqui a dois dias”.
“Sim, então
tenho que terminar isto hoje.”
Koutarou olhou o
calendário que havia posto antes na parede junto com o relógio.
“Eh? E amanhã?”
“Tenho que
trabalhar?”
“Você vai
continuar? Ao menos poderia fazer uma pausa depois de se mudar.”
Kenji olhou
perplexo através de seus óculos.
“É necessário
durante o começo da primavera. Não me ponha no mesmo grupo com vocês que vivem
com seus pais.”
“Se se tratar de
dinheiro, seu pai não te deixou algum antes?”
“Se for
possível, não vou usar. É a coisa mais inteligente que posso fazer!”
“... Não sei se
é ‘o mais inteligente’, o que vai acontecer se entrar em colapso?”
“Ao contrário de
vocês, pessoas inteligentes, ao menos eu tenho confiança na minha resistência.”
“Sim, sim,
suponho que sim.”
Kenji deu de
ombros em frente a Koutarou, que havia inflado seu peito de orgulho.
“Então, Kou,
quando vai trabalhar amanhã?”
“O mesmo de
sempre: pela manhã.”
“Está bem, então
vou vir como de costume.”
Ambos haviam
trabalhado no mesmo lugar desde o mês passado. Depois de saberem que foram
admitidos no ensino médio, ambos procuraram um lugar para trabalhar perto da
escola. Afortunadamente, foram contratados.
“... Hei, Kou.
Vai acordar na hora certa quando começar a escola?”
“Eu vou, eu
vou.”
“Tenho que te
acordar todos os sábados para ir ao trabalho, então não tem nenhuma
credibilidade.”
“Você é muito
exigente.”
Koutarou era
ruim para se levantar de manhã, então Kenji tinha acabado tendo que ir todos os
sábados e acordá-lo para trabalhar.
“Estou vivendo
por minha conta e me juntando ao reino dos homens agora, então não posso
continuar atuando como um garoto.”
“Então não vai
precisar de mim amanhã, não é?”
“Isto e aquilo
são coisas diferentes, McKenzie-kun. Assegure-se de vir amanhã.”
“Você...”
Kenji deu de
ombros surpreso.
“Parece que é
para sempre, cara.”
“... Talvez seja
muito velho para te ajudar, então.”
“Se você diz
isso, você é jovem então.”
*DingDong* a
campainha tocou.
“Han?”
“Um convidado?”
Então, antes que
Koutarou pudesse responder, a pessoa abriu a porta e entrou no quarto.
“Olá!
Satomi-san, você está se instalando?”
A voz de uma
garota soou da entrada.
Essa voz é sem
duvidas...
“A
proprietária.”
“Proprietária?”
“Ah... Já vou!”
Koutarou
respondeu e se levantou das caixas em que havia sentado. Ao ver isso, Kenji
também ficou de pé rapidamente desencostando-se da parede que estava apoiado.
“É uma jovem e
bela voz.”
“Vamos, Mckenzie,
prepare-se para uma surpresa.”
“Humm, está
bem...”
Com isso, os
dois caminharam juntos até a entrada.
“Olá,
Proprietária-san.”
“Olá,
Satomi-san.”
Uma garota, com
um avental sobre roupas normais, de pé na entrada. Depois de se cumprimentarem,
fizeram uma reverência. Ela parecia ter a mesma idade que Koutarou, porém com
aparência um pouco infantil e um cabelo longo preso por uma grande fita, passava
a impressão de ser uma doce jovem.
“Eh, você a
chamou de proprietária?”
“Sim, ela é a proprietária
daqui. Surpreso McKenzie?”
“Ah, sim.”
Kenji fez uma
reverencia com os olhos abertos. E se surpreendeu, porque não conseguia
enxergar a encantadora garota diante dele como uma proprietária.
“Me surpreendeu
a principio, também.”
“Todo mundo se
surpreende. Fufufu...”
Virou-se para
Kenji com um leve sorriso.
“Prazer em
conhecê-lo. Eu sou a proprietária daqui, Shizuka Kasagi”.
“Prazer em
conhecê-la, sou Matsudaira Kenji.”
“Espero que possamos
nos dar bem, Matsudaira-san.”
“Sim, o mesmo.”
Kenji e a garota
--- Shizuka fizeram um reverência um ao outro.
“Proprietária-san,
este sujeito e meu amigo de infância.”
“Ah, ele é?”
“E provavelmente
estará aqui frequentemente, então, por favor, o chame de McKenzie.”
“McKenzie?”
Shizuka piscou
varia vezes e olhou para Kenji.
“Você é japonês,
não é? Com um nome como Matsudaira...”
“Ah, ghup, ele
definitivamente é japonês, McKenzie é só a abreviação de Matsudaira Kenji.”
“Entendo, Matsu
– y – Kenji, por isso McKenzie.”
Satisfeita,
Shizuka pôs sua mão na frente de sua boca e rio entre os dentes.
“Porém só o Kou
me chama assim.”
“Então,
Matsudaira-san, como devo te chamar?”
“McKenzie está
bem. Já estou acostumado com isso.”
“Está bem então,
McKenzie-san.”
Ao ver Kenji
encolhendo seus ombros, Shizuka riu de novo, fazendo com que sua fita de cabelo
balançasse suavemente.
“Oh sim, você
também vai cursar o ensino médio na Kitsushouharukaze este ano.”
“Hee, que
coincidência.”
“Se tivermos
sorte, podemos até ficar na mesma classe.”
“Fufu, espero
que também possamos nos dar bem na escola.”
Disse ela,
fazendo novamente uma reverência.
“Então, Proprietária-san,
precisa de alguma coisa?”
“Ah, havia me
esquecido.”
Shizuka juntou
ergueu sua mão e apontou para a janela atrás de Koutarou e Kenji.
“Vi o caminhão
de mudança ir a pouco, então pensei que já era hora de vir e ajudar.”
“Da janela?”
“Sim,
McKenzie-san. Na verdade, moro no apartamento acima deste.”
“É muito bom
viver em um apartamento que está sob o apartamento de uma linda proprietária.”
“Bom...”
Os olhos de
Shizuka se abriram, e depois sorriu.
“Que lisonjeio
Satomi-san.”
“De alguma
maneira, viver sob, não quer dizer nada. É um apartamento, por isso,
obviamente, isso sempre poderia acontecer.”
“Não destrua a
atmosfera.”
“Fufufu, vocês
dois se dão bem... Ah, eu não deveria dizer isso. Vim aqui para ajudar, depois
de tudo. Não podia ajudar com o trabalho físico de antes, mas creio que
definitivamente posso ajudar agora.”
“Você nos
salvou, Proprietária-san; A especialidade de Kou é sempre fazer bagunça, mas
quando se trata de organizar, ele não é bom.”
“Ei! McKenzie,
não diga coisas desrespeitosas!”
“É verdade, porém,
você sempre faz com que eu me preocupe.”
Kenji deixou
escapar um grande suspiro enquanto acertava seus óculos.
“Então você
sempre----?”
“Sim, sempre
estou o ajudando.”
“Estou muito
agradecido, sabe.”
“Só agradecido
sem dúvidas. Ah sim, Proprietária-san, há algo que eu gostaria de perguntar, tudo
bem?”
“Sim, o que é?”
Shizuka
assentiu, sem deixar de sorrir.
“Por que o
aluguel deste apartamento é só de cinco mil ienes?”
“E-eey,
McKenzie, não pergunte de repente esse tipo de coisa!”
Koutarou, que
conhecia as circunstâncias, começou a entrar ligeiramente em pânico.
“Mas não está
curioso? O apartamento é agradável, e a proprietária é uma pessoa trabalhadora,
então não vejo nenhum problema com ele.”
“Porém seus pais
deixaram esse apartamento para ela, então...”
“Está tudo bem,
Satomi-san.”
Koutarou estava
preocupado que Shizuka se irritasse, mas ela sorriu suavemente e balançou a
cabeça.
“As preocupações
de McKenzie-san também são válidas. Fufufu, você não entende? McKenzie-san se
preocupa com você.”
“Proprietária-san...”
“Além do mais,
posso falar disso.”
“Há- Haah.”
Koutarou se
inclinou se desculpando e Shizuka virou para Kenji.
“Na verdade,
este apartamento está assombrado.”
“O que quer
dizer com ‘está assombrado’?”
“Principalmente
que há rumores de um fantasma neste apartamento.”
“F-Fantasma...!?”
Kenji se
surpreendeu, e fitou nervosamente ao redor do apartamento.
“Não vi nada, mas
parece que todos os inquilinos sim... Assim ninguém vive aqui por muito tempo.”
“Um fantasma...
é difícil de aceitar, mas...”
“Penso igual,
mas a realidade é que os inquilinos se vão e fazem essas afirmações.”
Shizuka deu de
ombros com um sorriso amargo quando disse isto ao intrigado Kenji.
“Proprietária-san
deixa comigo. Não vou perder para um fantasma.”
“Espero que
assim seja. Você definitivamente tem que viver aqui por um longo tempo para
esclarecer os rumores, Satomi-san.”
“O farei!”
“Mas um fantasma
neste apartamento...”
Ainda sem entender,
Kenji olhou ao redor do apartamento novamente.
“Pare de
murmurar, McKenzie. Já que a proprietária desceu para nos ajudar, vamos começar
a colocar as coisas no lugar.”
“... Ah, é
verdade.”
Depois que
Koutarou o pressionou, Kenji negou fortemente com a cabeça e sua expressão
voltou ao normal.
“Se é o idiota
do Kou, mesmo com um fantasma ele ficará bem.”
“Suas palavras
doem.”
“É o propósito.”
“Eu sei... de
todo modo, vamos começar, Proprietária-san.”
“Sim, mas sabem,
vocês dois formam uma ótima combinação.”
Shizuka riu de
novo enquanto observava sua discussão.
“Sério?”
“Proprietária-san,
por favor, não diga algo tão repugnante.”
“McKenzie, não
está exagerando um pouco?”
Com isso,
começaram a guardar ruidosamente a bagagem.
Com a ajuda de
Kenji e Shizuka, Koutarou deu ao apartamento um estado habitável antes da hora
do jantar.
“Eu já vou.
Temos trabalho amanhã, então não fiquem até muito tarde.”
“Entendo. Seria
ruim cair no sono, depois de tudo.”
“Realmente não
tenho a confiança de que você ‘entenda’.”
Kenji suspirou, indo
até a entrada e calçando os sapados que havia tirado descuidadamente antes.
“Eu irei também,
Satomi-san”.
“Proprietária-san,
não precisa me chamar de ‘Satomi-san’, vamos ser colegas de classe depois de
amanhã, afinal.”
“Humm, então,
Satomi-kun.”
“Assim parece
melhor.”
“Então te
chamarei assim!?”
Shizuka sorriu,
deslizando-se sobre os sapatos que cuidadosamente deixou no caminho da entrada.
Ao mesmo tempo, Kenji abriu a porta.
“Obrigado por
hoje Proprietária-san.”
Koutarou a
agradeceu enquanto saiam pela porta.
“Não foi nada,
se precisar de qualquer coisa.”
“... Não vai me
agradecer também?”
“Você é o tipo
de pessoa para dar e receber.”
“Não pense em
mim desse jeito...”
“Nos vemos, Satomi-kun.”
“Adeus,
Proprietária-san.”
“Se apresse e vá
dormir.”
“Eu vou, eu
vou.”
Com o som da
porta, Kenji e Shizuka desapareceram.
Depois que
Koutarou comeu a refeição que comprou na loja de conveniência, continuou
organizando sozinho.
“Humm... Onde devo
colocar este bastão... Esse é diferente dos outros, então suponho que vou pô-lo
na prateleira.”
Koutarou se preocupava pelo bastão em sua mão.
O bastão autografado, que fora utilizado pelo lendário rebatedor chamado de ‘O
Deus das Rebatidas’, era um dos tesouros de Koutarou.
“Bem, vou
conseguir um suporte para isto, mas por agora vou apenas pô-lo no canto.”
Koutarou escorou
o bastão contra a parede no canto e pegou uma nova caixa de papelão.
“O que será
isto, então...”
Koutarou tirou a
fita adesiva e olhou dentro.
“Mais tesouros,
em?”
Troféus,
certificados, medalhas e sua luva favorita. Eram todas as lembranças da época
do Koutarou no ensino fundamental.
“Certo, vou por
isto aqui.”
Não se sentia
tão especial por ter tantas memórias de um só lugar.
“Se eu não
colocar isso em um local bom...”
Era uma camisa
bordada. Koutarou a embalou com cuidado e firmemente no papel. Então pôs
suavemente na mala no interior do armário.
“Certo.”
Se afastando do
armário, Koutarou bateu palmas.
*Ring Ring*
Ao mesmo tempo,
seu telefone que estava carregando no canto começou a tocar.
“Eh? Pai?”
No telefone de
Koutarou, só havia um contato que ainda tinha o toque de chamada
predeterminada.
Satomi Yuuichirou.
O nome do pai de
Koutarou era mostrado na tela do telefone.
*Beep*
Koutarou pegou
seu telefone, respondendo antes mesmo de colocá-lo em um lado de seu rosto.
“Alô, pai?”
“Ooh, você está
ai Koutarou?”
Do telefone, a
voz que se ouvia era sem duvida a do pai de Koutarou, Yuuichirou.
“Como você está
ai? Tudo desempacotado?”
“Chegando lá. McKenzie e a proprietária me
ajudaram, então eu tenho algum tempo.”
“Entendo. Os
agradeceu corretamente?”
“Sim, e você?”
“Estou em um
dormitório para solteiros, então não há nada que possa fazer. Tenho comida e um
lugar para tomar banho. Se eu tivesse só uma muda de roupas não haveria
problemas urgentes.”
“Fico feliz. Há
muita coisa que você não consegue fazer sem mim, então estava um pouco
preocupado.”
“Hahaha, isso é
golpe baixo.”
Koutarou cresceu
só com seu pai, por isso na verdade ele fez a maioria das tarefas domésticas.
Como, era ele, não podia ser chamado de um bom trabalho, mas ainda assim, se
Koutarou não o houvesse feito, Yuuichirou certamente teria desaparecido. Seu
pai era terrível nas atividades domésticas...
“É uma boa
oportunidade, sem duvidas, para encontrar uma boa pessoa.”
Koutarou queria
que ele se casasse novamente em breve.
“Tahahaha, isso
é um pouco...”
Mas Yuuichirou
ainda amava a mulher que perdera recentemente, até hoje. Koutarou entendia
isto, assim não podia reclamar.
“Sim, de todo o
modo, se está bem, isso é o que importa.”
“Igualmente.
Pai. Se esqueceu de tirar o lixo?”
“Eu não, eu
não.”
“Eu queria
saber.”
Nesse momento,
Koutarou realmente entendeu os sentimentos de Kenji.
“De qualquer
forma, não há muito do que falar, então acho melhor desligar. Tenho um pouco
mais de limpeza para fazer.”
“Eu também. Até
logo, pai.”
“Sim boa noite,
Koutarou.”
“Boa noite.”
E assim, eles
desligaram.
“Me pergunto o
que sentiu por ser transferido para lá.”
Koutarou havia
conectado seu telefone.
Enfim, deveria
estar aliviado. É bom, é bom.”
Koutarou deu um
leve sorriso e respirou fundo antes de reiniciar.
“Onze horas, hum...?
Koutarou parou a
limpeza quando deu onze horas.
“Suponho que
irei para a cama cedo esta noite. Se não me levantar na hora McKenzie me
chamará”.
Os últimos dias
da agitada mudança haviam cansado Koutarou, e além disso tinha que trabalhar
amanhã. Ir dormir agora seria uma boa ideia.
“Dormir,
dormir.”
Depois de
decidir assim, Koutarou rapidamente tirou seu futon do armário. Realmente não combinava
com Koutarou por causa da coberta com padrões de flores que Shizuka havia
preparado.
“Esticar. ”
Usando seu pé,
Koutarou limpou algum espaço para o futon e depois, só se jogou sobre ele,
encima da coberta de flores na sua frente.
“... Deveria ter
colocado corretamente? ”
Depois de
reconsiderar isso, decidiu estender corretamente o futon, Shizuka havia
preparado a coberta para ele, assim se o tratasse de maneira tão rude como
sempre, poderia irritá-la.
“Bom.”
Depois de
estender o futon, Koutarou apagou as luzes e entrou debaixo das cobertas.
“Boa noite.”
Dizendo isso a
ninguém em particular, Koutarou fechou os olhos. Era ruim para se levantar, mas
bom para dormir. Alguns minutos mais tarde, sua respiração ficou estável.
Nada se movia no
apartamento 106, e a respiração de Koutarou ecoava pelo apartamento. Era mais
ou menos do mesmo volume que o tic-tac do relógio. Assim quando a televisão do
apartamento 105 vizinho estava ligada ou quando Shizuka fechou e abriu a porta
de cima no apartamento 206, sua respiração era inaudível. Depois de umas poucas
horas o apartamento de Koutarou se encheu de novo só com o som de sua
respiração.
*Klunk*
Havia um pequeno som no apartamento 106, e não
era de Koutarou. Ele estava dormindo e nem sequer se movia.
*Klunk, Klunk*
O som vinha da
janela, mas o marco da janela estava rangendo mesmo que o vento não estivesse
soprando. Porém, a janela continuava rangendo e, com o passar do tempo o som
tornou-se mais alto e constante.
Ainda assim,
Koutarou não mostrou sinal de acordar.
“Uhh ~ McKenzie,
já basta~”
No seu lugar,
Koutarou estava falando em voz alta e dormindo, pelo visto a janela não tinha
nenhuma chance.
Curiosamente,
como o murmúrio de Koutarou, o ruído parou de repente.
*Guhehehehehe*
*Klunk*
Mas por alguma
razão a janela começou mais uma vez bem na hora que Koutarou parou de falar
dormindo. Não deveria ser possível, mas era como se a janela tivesse se
surpreendido com Koutarou falando dormindo.
Durante um
tempo, o silencio continuou, e o murmúrio de Koutarou finalmente parou. Não
aconteceu nada durante vários minutos, mas o estranho fenômeno não havia
terminado.
*Plaft* *Clack*
Um som alto de
explosão atravessou a noite, soando como se um jarro pequeno houvesse sido
destroçado, mas olhando pelo apartamento, a fonte do som não podia ser
encontrada.
*Plaft* *Clack*
*Tack*. Os sons explosivos continuaram. E ao mesmo tempo uma bola de beisebol
rolou pelo chão. Porém, o culpado não podia ser visto.
*Klunk* *Tack*
Os sons eram
cada vez mais violentos, e a janela estava fazendo um grande barulho.
“Kekeke,
McKenzie, é uma proprietária ruim? A proprietária é linda~.”
Ainda assim
Koutarou não acordou. Longe disso, Koutarou começou a falar enquanto dormia de
novo.
“Pode ser bem
parecido, mas não tem guelras~.”
Como se fosse
para abafar o discurso Koutarou, os barulhos ficaram ainda mais altos. As
coisas no apartamento começaram a tremer, e o apartamento estava no apogeu do
caos.
O som estava bem
em frente ao Koutarou, mas ainda assim não acordou. Esta quantidade não podia o
incomodar em nada. Mesmo depois de haver sido amigo de Kenji durante tanto
tempo, Koutarou não acordou facilmente.
*Uehehehehehe~*
O som parou
quando Koutarou falou dormindo.
O que
aconteceria se estes sons e as agitações do apartamento fossem causados por
alguém.
“Esse barulho é
irritante, cale-se. Já basta, McKenzie.”
*Klunk*
Quem quer que
fosse essa pessoa, sem dúvida estava surpresa de como Koutarou era cabeça dura
enquanto dormia.






