Capítulo 1: Montando Acampamento|4 de abril (Sáb)




Cinco mil ienes.
Esse era o aluguel mensal do Apartamentos Corona para o Apartamento 106.
Apartamentos Corona era um prédio residencial de madeira com vinte e cinco anos de idade. Era barato inicialmente, já que estava bastante afastado do centro da cidade, mas cinco mil ienes em um apartamento de seis tatames com cozinha, banheiro e uma área de banho era demais. Na verdade, o aluguel de todos os demais apartamentos do Apartamentos Corona era dez vezes maior. Além disso, no apartamento 106 não tinha que pagar nenhum adiantamento, nem pelas chaves e foram dispensados todos os custos de ajuda mútua.
Havia uma única razão pela qual o apartamento 106 era muito barato: até agora, todos os demais inquilinos haviam abandonado antes do término do contrato. Era normal que o inquilino fosse embora mais ou menos em três dias. O mais rápido durou três horas, e o que durou mais ficou três meses. Graças a isto, o aluguel diminuiu. Apesar de ter começado com um valor alto. No início do ano era de dez mil ienes mas, antes de a primavera chegar, já havia sidoreduzido a cinco mil.
“Tenha cuidado com isso, McKenzie. Esse quadro vale mais que sua vida”.
Disse o garroto se movendo dentro da casa barata.
“O que está dizendo, Kou? Sempre sou mais cuidadoso que você”.
“Se você entende está tudo bem. Continue com o trabalho, McKenzie-kun”.
“Sim, sim, quem está te ajudando na mudança aqui...? Francamente”.
O que estava se mudando era Satomi Koutaro. Seu amigo de infância, Matsudaira Kenji, o chamava de Kou e, em troca, Koutarou o chamava de McKenzie. Ambos tinham 15 anos, e após sua cerimônia de entrada na escola em dois dias, virariam estudantes do primeiro ano.
Hoje era sábado, quatro de abril.
Graças a urgente realocação do trabalho de seu pai, a partir desta primavera Koutarou viveria sozinho. Por isso foi a agência imobiliária e encontrou o Apartamentos Corona. Dado que o seu pai o criava sozinho, Koutarou aproveitou a oportunidade para se tornar uma carga menor. E, devido ao aluguel ser tão baixo, aceitou com entusiasmo sem perguntar o porquê.
“De qualquer forma, Kou, ainda bem que você conseguiu encontrar um apartamento vazio nessa época do ano, não é?”
“Tive sorte. Meu pai só me contou de sua transferência recentemente, por isso o aceitei.”
 Durante os dois meses e meio depois que a transferência foi decidida, Koutarou terminou seus exames para ingressar no colégio, em seguida esperou pelos resultados.
“De qualquer forma, se o colega de trabalho não pode ir porque estava ferido, suponho que não havia forma de evitá-lo.”
“Isso é verdade.”
Originalmente, a transferência não era para o pai de Koutarou, e sim para um colega de trabalho. Porem, esse colega ficou gravemente ferido em um acidente, por isso o pai de Koutarou foi escolhido em seu lugar.
“Me surpreendeu já que foi repentino, mas é uma boa oportunidade para me tornar independente. Já sou um estudante do ensino médio, depois de tudo”.
“Uma atitude positiva, eh.”
“Eu comemoro minha jornada como um homem.”
“Que diabos foi isso?”
Ambos carregavam uma mala. Estavam fazendo viagens levando a bagagem do caminhão da companhia de mudanças já há um tempo.
“Posso por a geladeira ao lado do lavatório?”
Um homem de meia idade com roupa de trabalho colocou a cabeça para fora do apartamento 106 e perguntou isso. Ele era o motorista do caminhão de mudança, e também estava carregando as bagagens.
“Sim, por favor!”
“Entendido.”
Ao escuta a resposta de Koutarou, o homem voltou para dentro da casa; Koutarou e Kenji o seguiram.
“Isto custa cinco mil ienes ao mês... isso é muito barato.”
Kenji suspirou de novo ao passar pela porta.
“Você está com inveja.”
“Se é apenas de cinco mil, gostaria de ter alugado.”
O apartamento era bastante antiquado. O corredor da entrada tinha piso de madeira, e além do mais era um apartamento de seis tatames. Havia uma pequena cozinha no lado direito do corredor, e ao lado esquerdo estava o banheiro e a área de banho. Sem dúvida parecia antiquado, mas estava limpo e bem cuidado.
“Olhe Kou, você vai bater no teto”
“Entendi, entendi.”
“É serio? Velho, estamos passando”.
“Oh, me desculpe, Quatro olhos-kun.”
Passando o homem que estava colocando a geladeira, Koutaro e Kenji entraram na sala principal. Ambos abriram caminho através da bagagem e caixas de papelão empilhadas pelo apartamento.
“O que faremos com essa mala?”
“Hummm, vamos coloca-la no armário, na parte de baixo.”
“Ok.”
Puseram a mala no armário, e quando haviam se endireitado, o homem da mudança entrou no apartamento.
“Senhor, essa é a ultima bagagem”?
“Ah, sim, isto é tudo.”
“Muito bem, então eu irei embora.”
“Obrigado pela sua ajuda.”
Koutarou havia aumentado a quantidade de mão de obra, então se curvou para o homem da mudança.
“Sou eu que devo me inclinar, e agradeço por nos escolher.”
Disse o homem da mudança enquanto se inclinava com um suave sorriso. Então, deixando para trás uns papeis, saiu do apartamento.
“Bom, então, podemos ter um descanso agora.”
“Ei, McKenzie.”
Koutarou lançou uma garrafa de plástico com chá para Kenji, que estava ajustando seus óculos.
“Whoa, obrigado.”
Kenji agarrou facilmente a garrafa. Estava acostumado com esse tipo de coisa, já que haviam sido amigos durante muito tempo.
“Me desculpe está um pouco quente. A geladeira acabou de ser instalada.”
Ao dizer isto, Koutarou tirou sua própria garrafa da sacola de plástico que havia comprado antes na loja de conveniência.
“Eu sei.”
Eles abriram simultaneamente suas garrafas com um crack e beberam.
“Haah, estou vivo outra vez!”
Koutarou se sentou no segundo nível das caixas papelão, enquanto estava bebendo, e Kenji se apoiou no marco da porta. Então, o calendário pendurado na parede chamou sua atenção.
“O tempo passa rapidamente. A Cerimônia de entrada já é daqui a dois dias”.
“Sim, então tenho que terminar isto hoje.”
Koutarou olhou o calendário que havia posto antes na parede junto com o relógio.
“Eh? E amanhã?”
“Tenho que trabalhar?”
“Você vai continuar? Ao menos poderia fazer uma pausa depois de se mudar.”
Kenji olhou perplexo através de seus óculos.
“É necessário durante o começo da primavera. Não me ponha no mesmo grupo com vocês que vivem com seus pais.”
“Se se tratar de dinheiro, seu pai não te deixou algum antes?”
“Se for possível, não vou usar. É a coisa mais inteligente que posso fazer!”
“... Não sei se é ‘o mais inteligente’, o que vai acontecer se entrar em colapso?”
“Ao contrário de vocês, pessoas inteligentes, ao menos eu tenho confiança na minha resistência.”
“Sim, sim, suponho que sim.”
Kenji deu de ombros em frente a Koutarou, que havia inflado seu peito de orgulho.
“Então, Kou, quando vai trabalhar amanhã?”
“O mesmo de sempre: pela manhã.”
“Está bem, então vou vir como de costume.”
Ambos haviam trabalhado no mesmo lugar desde o mês passado. Depois de saberem que foram admitidos no ensino médio, ambos procuraram um lugar para trabalhar perto da escola. Afortunadamente, foram contratados.
“... Hei, Kou. Vai acordar na hora certa quando começar a escola?”
“Eu vou, eu vou.”
“Tenho que te acordar todos os sábados para ir ao trabalho, então não tem nenhuma credibilidade.”
“Você é muito exigente.”
Koutarou era ruim para se levantar de manhã, então Kenji tinha acabado tendo que ir todos os sábados e acordá-lo para trabalhar.
“Estou vivendo por minha conta e me juntando ao reino dos homens agora, então não posso continuar atuando como um garoto.”
“Então não vai precisar de mim amanhã, não é?”
“Isto e aquilo são coisas diferentes, McKenzie-kun. Assegure-se de vir amanhã.”
“Você...”
Kenji deu de ombros surpreso.
“Parece que é para sempre, cara.”
“... Talvez seja muito velho para te ajudar, então.”
“Se você diz isso, você é jovem então.”
*DingDong* a campainha tocou.
“Han?”
“Um convidado?”
Então, antes que Koutarou pudesse responder, a pessoa abriu a porta e entrou no quarto.
“Olá! Satomi-san, você está se instalando?”
A voz de uma garota soou da entrada.
Essa voz é sem duvidas...
“A proprietária.”
“Proprietária?”
“Ah... Já vou!”
Koutarou respondeu e se levantou das caixas em que havia sentado. Ao ver isso, Kenji também ficou de pé rapidamente desencostando-se da parede que estava apoiado.
“É uma jovem e bela voz.”
“Vamos, Mckenzie, prepare-se para uma surpresa.”
“Humm, está bem...”
Com isso, os dois caminharam juntos até a entrada.
“Olá, Proprietária-san.”
“Olá, Satomi-san.”
Uma garota, com um avental sobre roupas normais, de pé na entrada. Depois de se cumprimentarem, fizeram uma reverência. Ela parecia ter a mesma idade que Koutarou, porém com aparência um pouco infantil e um cabelo longo preso por uma grande fita, passava a impressão de ser uma doce jovem.
“Eh, você a chamou de proprietária?”
“Sim, ela é a proprietária daqui. Surpreso McKenzie?”
“Ah, sim.”
Kenji fez uma reverencia com os olhos abertos. E se surpreendeu, porque não conseguia enxergar a encantadora garota diante dele como uma proprietária.
“Me surpreendeu a principio, também.”
“Todo mundo se surpreende. Fufufu...”
Virou-se para Kenji com um leve sorriso.
“Prazer em conhecê-lo. Eu sou a proprietária daqui, Shizuka Kasagi”.
“Prazer em conhecê-la, sou Matsudaira Kenji.”
“Espero que possamos nos dar bem, Matsudaira-san.”
“Sim, o mesmo.”
Kenji e a garota --- Shizuka fizeram um reverência um ao outro.
“Proprietária-san, este sujeito e meu amigo de infância.”
“Ah, ele é?”
“E provavelmente estará aqui frequentemente, então, por favor, o chame de McKenzie.”
“McKenzie?”
Shizuka piscou varia vezes e olhou para Kenji.
“Você é japonês, não é? Com um nome como Matsudaira...”
“Ah, ghup, ele definitivamente é japonês, McKenzie é só a abreviação de Matsudaira Kenji.”
“Entendo, Matsu – y – Kenji, por isso McKenzie.”
Satisfeita, Shizuka pôs sua mão na frente de sua boca e rio entre os dentes.
“Porém só o Kou me chama assim.”
“Então, Matsudaira-san, como devo te chamar?”
“McKenzie está bem. Já estou acostumado com isso.”
“Está bem então, McKenzie-san.”
Ao ver Kenji encolhendo seus ombros, Shizuka riu de novo, fazendo com que sua fita de cabelo balançasse suavemente.
“Oh sim, você também vai cursar o ensino médio na Kitsushouharukaze este ano.”
“Hee, que coincidência.”
“Se tivermos sorte, podemos até ficar na mesma classe.”


“Fufu, espero que também possamos nos dar bem na escola.”
Disse ela, fazendo novamente uma reverência.
“Então, Proprietária-san, precisa de alguma coisa?”
“Ah, havia me esquecido.”
Shizuka juntou ergueu sua mão e apontou para a janela atrás de Koutarou e Kenji.
“Vi o caminhão de mudança ir a pouco, então pensei que já era hora de vir e ajudar.”
“Da janela?”
“Sim, McKenzie-san. Na verdade, moro no apartamento acima deste.”
“É muito bom viver em um apartamento que está sob o apartamento de uma linda proprietária.”
“Bom...”
Os olhos de Shizuka se abriram, e depois sorriu.
“Que lisonjeio Satomi-san.”
“De alguma maneira, viver sob, não quer dizer nada. É um apartamento, por isso, obviamente, isso sempre poderia acontecer.”
“Não destrua a atmosfera.”
“Fufufu, vocês dois se dão bem... Ah, eu não deveria dizer isso. Vim aqui para ajudar, depois de tudo. Não podia ajudar com o trabalho físico de antes, mas creio que definitivamente posso ajudar agora.”
“Você nos salvou, Proprietária-san; A especialidade de Kou é sempre fazer bagunça, mas quando se trata de organizar, ele não é bom.”
“Ei! McKenzie, não diga coisas desrespeitosas!”
“É verdade, porém, você sempre faz com que eu me preocupe.”
Kenji deixou escapar um grande suspiro enquanto acertava seus óculos.
“Então você sempre----?”
“Sim, sempre estou o ajudando.”
“Estou muito agradecido, sabe.”
“Só agradecido sem dúvidas. Ah sim, Proprietária-san, há algo que eu gostaria de perguntar, tudo bem?”
“Sim, o que é?”
Shizuka assentiu, sem deixar de sorrir.
“Por que o aluguel deste apartamento é só de cinco mil ienes?”
“E-eey, McKenzie, não pergunte de repente esse tipo de coisa!”
Koutarou, que conhecia as circunstâncias, começou a entrar ligeiramente em pânico.
“Mas não está curioso? O apartamento é agradável, e a proprietária é uma pessoa trabalhadora, então não vejo nenhum problema com ele.”
“Porém seus pais deixaram esse apartamento para ela, então...”
“Está tudo bem, Satomi-san.”
Koutarou estava preocupado que Shizuka se irritasse, mas ela sorriu suavemente e balançou a cabeça.
“As preocupações de McKenzie-san também são válidas. Fufufu, você não entende? McKenzie-san se preocupa com você.”
“Proprietária-san...”
“Além do mais, posso falar disso.”
“Há- Haah.”
Koutarou se inclinou se desculpando e Shizuka virou para Kenji.
“Na verdade, este apartamento está assombrado.”
“O que quer dizer com ‘está assombrado’?”
“Principalmente que há rumores de um fantasma neste apartamento.”
“F-Fantasma...!?”
Kenji se surpreendeu, e fitou nervosamente ao redor do apartamento.
“Não vi nada, mas parece que todos os inquilinos sim... Assim ninguém vive aqui por muito tempo.”
“Um fantasma... é difícil de aceitar, mas...”
“Penso igual, mas a realidade é que os inquilinos se vão e fazem essas afirmações.”
Shizuka deu de ombros com um sorriso amargo quando disse isto ao intrigado Kenji.
“Proprietária-san deixa comigo. Não vou perder para um fantasma.”
“Espero que assim seja. Você definitivamente tem que viver aqui por um longo tempo para esclarecer os rumores, Satomi-san.”
“O farei!”
“Mas um fantasma neste apartamento...”
Ainda sem entender, Kenji olhou ao redor do apartamento novamente.
“Pare de murmurar, McKenzie. Já que a proprietária desceu para nos ajudar, vamos começar a colocar as coisas no lugar.”
“... Ah, é verdade.”
Depois que Koutarou o pressionou, Kenji negou fortemente com a cabeça e sua expressão voltou ao normal.
“Se é o idiota do Kou, mesmo com um fantasma ele ficará bem.”
“Suas palavras doem.”
“É o propósito.”
“Eu sei... de todo modo, vamos começar, Proprietária-san.”
“Sim, mas sabem, vocês dois formam uma ótima combinação.”
Shizuka riu de novo enquanto observava sua discussão.
“Sério?”
“Proprietária-san, por favor, não diga algo tão repugnante.”
“McKenzie, não está exagerando um pouco?”
Com isso, começaram a guardar ruidosamente a bagagem.
Com a ajuda de Kenji e Shizuka, Koutarou deu ao apartamento um estado habitável antes da hora do jantar.
“Eu já vou. Temos trabalho amanhã, então não fiquem até muito tarde.”
“Entendo. Seria ruim cair no sono, depois de tudo.”
“Realmente não tenho a confiança de que você ‘entenda’.”
Kenji suspirou, indo até a entrada e calçando os sapados que havia tirado descuidadamente antes.
“Eu irei também, Satomi-san”.
“Proprietária-san, não precisa me chamar de ‘Satomi-san’, vamos ser colegas de classe depois de amanhã, afinal.”
“Humm, então, Satomi-kun.”
“Assim parece melhor.”
“Então te chamarei assim!?”
Shizuka sorriu, deslizando-se sobre os sapatos que cuidadosamente deixou no caminho da entrada. Ao mesmo tempo, Kenji abriu a porta.
“Obrigado por hoje Proprietária-san.”
Koutarou a agradeceu enquanto saiam pela porta.
“Não foi nada, se precisar de qualquer coisa.”
“... Não vai me agradecer também?”
“Você é o tipo de pessoa para dar e receber.”
“Não pense em mim desse jeito...”
“Nos vemos, Satomi-kun.”
“Adeus, Proprietária-san.”
“Se apresse e vá dormir.”
“Eu vou, eu vou.”
Com o som da porta, Kenji e Shizuka desapareceram.
Depois que Koutarou comeu a refeição que comprou na loja de conveniência, continuou organizando sozinho.
“Humm... Onde devo colocar este bastão... Esse é diferente dos outros, então suponho que vou pô-lo na prateleira.”
 Koutarou se preocupava pelo bastão em sua mão. O bastão autografado, que fora utilizado pelo lendário rebatedor chamado de ‘O Deus das Rebatidas’, era um dos tesouros de Koutarou.
“Bem, vou conseguir um suporte para isto, mas por agora vou apenas pô-lo no canto.”
Koutarou escorou o bastão contra a parede no canto e pegou uma nova caixa de papelão.
“O que será isto, então...”
Koutarou tirou a fita adesiva e olhou dentro.
“Mais tesouros, em?”
Troféus, certificados, medalhas e sua luva favorita. Eram todas as lembranças da época do Koutarou no ensino fundamental.
“Certo, vou por isto aqui.”
Não se sentia tão especial por ter tantas memórias de um só lugar.
“Se eu não colocar isso em um local bom...”
Era uma camisa bordada. Koutarou a embalou com cuidado e firmemente no papel. Então pôs suavemente na mala no interior do armário.
“Certo.”
Se afastando do armário, Koutarou bateu palmas.
*Ring Ring*
Ao mesmo tempo, seu telefone que estava carregando no canto começou a tocar.
“Eh? Pai?”
No telefone de Koutarou, só havia um contato que ainda tinha o toque de chamada predeterminada.
Satomi Yuuichirou.
O nome do pai de Koutarou era mostrado na tela do telefone.
*Beep*
Koutarou pegou seu telefone, respondendo antes mesmo de colocá-lo em um lado de seu rosto.
“Alô, pai?”
“Ooh, você está ai Koutarou?”
Do telefone, a voz que se ouvia era sem duvida a do pai de Koutarou, Yuuichirou.
“Como você está ai? Tudo desempacotado?”
 “Chegando lá. McKenzie e a proprietária me ajudaram, então eu tenho algum tempo.”
“Entendo. Os agradeceu corretamente?”
“Sim, e você?”
“Estou em um dormitório para solteiros, então não há nada que possa fazer. Tenho comida e um lugar para tomar banho. Se eu tivesse só uma muda de roupas não haveria problemas urgentes.”
“Fico feliz. Há muita coisa que você não consegue fazer sem mim, então estava um pouco preocupado.”
“Hahaha, isso é golpe baixo.”
Koutarou cresceu só com seu pai, por isso na verdade ele fez a maioria das tarefas domésticas. Como, era ele, não podia ser chamado de um bom trabalho, mas ainda assim, se Koutarou não o houvesse feito, Yuuichirou certamente teria desaparecido. Seu pai era terrível nas atividades domésticas...
“É uma boa oportunidade, sem duvidas, para encontrar uma boa pessoa.”
Koutarou queria que ele se casasse novamente em breve.
“Tahahaha, isso é um pouco...”
Mas Yuuichirou ainda amava a mulher que perdera recentemente, até hoje. Koutarou entendia isto, assim não podia reclamar.
“Sim, de todo o modo, se está bem, isso é o que importa.”
“Igualmente. Pai. Se esqueceu de tirar o lixo?”
“Eu não, eu não.”
“Eu queria saber.”
Nesse momento, Koutarou realmente entendeu os sentimentos de Kenji.
“De qualquer forma, não há muito do que falar, então acho melhor desligar. Tenho um pouco mais de limpeza para fazer.”
“Eu também. Até logo, pai.”
“Sim boa noite, Koutarou.”
“Boa noite.”
E assim, eles desligaram.
“Me pergunto o que sentiu por ser transferido para lá.”
Koutarou havia conectado seu telefone.
Enfim, deveria estar aliviado. É bom, é bom.”
Koutarou deu um leve sorriso e respirou fundo antes de reiniciar.
“Onze horas, hum...?
Koutarou parou a limpeza quando deu onze horas.
“Suponho que irei para a cama cedo esta noite. Se não me levantar na hora McKenzie me chamará”.
Os últimos dias da agitada mudança haviam cansado Koutarou, e além disso tinha que trabalhar amanhã. Ir dormir agora seria uma boa ideia.
“Dormir, dormir.”
Depois de decidir assim, Koutarou rapidamente tirou seu futon do armário. Realmente não combinava com Koutarou por causa da coberta com padrões de flores que Shizuka havia preparado.
“Esticar. ”
Usando seu pé, Koutarou limpou algum espaço para o futon e depois, só se jogou sobre ele, encima da coberta de flores na sua frente.
“... Deveria ter colocado corretamente? ”
Depois de reconsiderar isso, decidiu estender corretamente o futon, Shizuka havia preparado a coberta para ele, assim se o tratasse de maneira tão rude como sempre, poderia irritá-la.
 “Bom.”
Depois de estender o futon, Koutarou apagou as luzes e entrou debaixo das cobertas.
“Boa noite.”
Dizendo isso a ninguém em particular, Koutarou fechou os olhos. Era ruim para se levantar, mas bom para dormir. Alguns minutos mais tarde, sua respiração ficou estável.
Nada se movia no apartamento 106, e a respiração de Koutarou ecoava pelo apartamento. Era mais ou menos do mesmo volume que o tic-tac do relógio. Assim quando a televisão do apartamento 105 vizinho estava ligada ou quando Shizuka fechou e abriu a porta de cima no apartamento 206, sua respiração era inaudível. Depois de umas poucas horas o apartamento de Koutarou se encheu de novo só com o som de sua respiração.
*Klunk*
 Havia um pequeno som no apartamento 106, e não era de Koutarou. Ele estava dormindo e nem sequer se movia.
*Klunk, Klunk*
O som vinha da janela, mas o marco da janela estava rangendo mesmo que o vento não estivesse soprando. Porém, a janela continuava rangendo e, com o passar do tempo o som tornou-se mais alto e constante.
Ainda assim, Koutarou não mostrou sinal de acordar.
“Uhh ~ McKenzie, já basta~”
No seu lugar, Koutarou estava falando em voz alta e dormindo, pelo visto a janela não tinha nenhuma chance.
Curiosamente, como o murmúrio de Koutarou, o ruído parou de repente.
*Guhehehehehe*
*Klunk*
Mas por alguma razão a janela começou mais uma vez bem na hora que Koutarou parou de falar dormindo. Não deveria ser possível, mas era como se a janela tivesse se surpreendido com Koutarou falando dormindo.
Durante um tempo, o silencio continuou, e o murmúrio de Koutarou finalmente parou. Não aconteceu nada durante vários minutos, mas o estranho fenômeno não havia terminado.
*Plaft* *Clack*
Um som alto de explosão atravessou a noite, soando como se um jarro pequeno houvesse sido destroçado, mas olhando pelo apartamento, a fonte do som não podia ser encontrada.
*Plaft* *Clack* *Tack*. Os sons explosivos continuaram. E ao mesmo tempo uma bola de beisebol rolou pelo chão. Porém, o culpado não podia ser visto.
*Klunk* *Tack*
Os sons eram cada vez mais violentos, e a janela estava fazendo um grande barulho.
“Kekeke, McKenzie, é uma proprietária ruim? A proprietária é linda~.”
Ainda assim Koutarou não acordou. Longe disso, Koutarou começou a falar enquanto dormia de novo.
“Pode ser bem parecido, mas não tem guelras~.”
Como se fosse para abafar o discurso Koutarou, os barulhos ficaram ainda mais altos. As coisas no apartamento começaram a tremer, e o apartamento estava no apogeu do caos.
O som estava bem em frente ao Koutarou, mas ainda assim não acordou. Esta quantidade não podia o incomodar em nada. Mesmo depois de haver sido amigo de Kenji durante tanto tempo, Koutarou não acordou facilmente.
*Uehehehehehe~*
O som parou quando Koutarou falou dormindo.
O que aconteceria se estes sons e as agitações do apartamento fossem causados por alguém.
“Esse barulho é irritante, cale-se. Já basta, McKenzie.”
*Klunk*
Quem quer que fosse essa pessoa, sem dúvida estava surpresa de como Koutarou era cabeça dura enquanto dormia.